Análise: After Party

30/11/2019 21:45
   

A análise faze parte do projeto e parceria Kapoow! & Game Lab ESPM

 

After Party é um lançamento de 2019 do estúdio Night School Studio, e sua história se passa no inferno. Saindo da ideia e estética conhecida do inferno, que é dominado pelo fogo, rochas e calor com vermelho, laranja e amarelo, After Party nos leva à um universo cheio de neon, edifícios, bares.

 

O jogo trás ironia em sua história, tudo começa com uma festa aparentemente normal de fim de faculdade, com estudantes descolados bebendo, conversando e dançando. Nos é apresentado os protagonistas Milo e Lola, claramente os amigos nerds e isolados das famosas histórias adolescentes. Quando já conversaram com diversos outros estudantes e beberam bastante, dois personagens da festa pedem para parar a música e falam que os pais de Milo e Lola sofreram um acidente de trem, porém, do nada, começam a travar e se movimentar igual robôs, até que as paredes da festa caem, todos na verdade estão mortos e é revelado que tudo não passava de um trote, pois Lola e Milo tinham morrido e ido pro inferno.

 

O questionamento pós morte é um dos que mais quebra a cabeça do ser humano, se tornando interessante a criatividade de um conceito de inferno totalmente diferente já logo no início, quando um demônio apressa Milo e Lola afirmando que eles estavam “atrasados” para o processamento, lhes indicando o caminho, se assimilando muito a vida humana com a correria do dia a dia e a burocracia. Quando os protagonistas chegam no processamento, são presos em gaiolas para viver uma tortura eterna, porém o turno do demônio responsável acabou e ele simplesmente os liberou dizendo “Pelo pecado de ser tarde demais para atribuir uma punição, vocês andarão pela cidade até amanhã. Divirtam-se, até mais e eu vou ficar bêbado.”

 

Lola e Milo descobrem que têm uma chance de sair do inferno e voltar para o mundo real: ganhar jogos de bebida contra Lúcifer. After Party se molda a partir desse objetivo, com os protagonistas conhecendo novos personagens (tanto demônios, quanto humanos), bebendo diversos drinks diferentes, explorando o universo divertido e jogando muito para treinar.

 

Quando os protagonistas ingerem álcool, a tela do jogo fica turva para saber que a bebida está surtindo efeito, e quando isso ocorre, o jogador presencia uma nova e exclusiva opção de fala, pois ela é sempre de acordo com o que escolheu beber. Na hora de realizar o pedido, aparecem diversas opções com legendas explicando o que podem causar, como confiança, sorte, ser um idiota sem consequências, entre outras opções.

 

 

Os protagonistas não possuem características essenciais que os difere, como uma habilidade exclusiva, o jogo vai se desenrolando sem dar a opção de selecionar com quem você quer fazer tal ação, é a história que define em qual momento o jogador pode mover cada um, quando um anda ou bebe, o outro segue. Em After party, mesmo tendo diversos caminhos para escolher, o jogador é levado para o mesmo final.

 

Os comando necessários são mostrados no decorrer do começo do jogo, bem auto explicativo, não deixando espaço para dúvidas. O jogo é individual, onde o jogador controla os dois protagonistas, tendo como foco principal escolher suas falas e, consequentemente, a direção que o jogo toma, já que sua tensão é mais voltada para a história. Os comandos são simples: escolher as falas, escolher o que quer tomar e jogar jogos de bebidas.

 

Falando dos personagens gerais, cada um tem uma personalidade forte, principalmente quando se trata dos demônios. O interessante a se observar é que toda vez que entra no assunto de como os humanos e demônios estão convivendo tão bem juntos, indo a festas e dançando a resposta sempre é similar a “ninguém gostaria de fazer o que está fazendo, isso é um trabalho, a gente não pergunta, só executa. E quando termina, você bebe com qualquer idiota que está na sua frente”, sendo uma grande analogia às relações humanas e como muitas pessoas hoje em dia não questionam e não são felizes, apenas aceitam.

 

 

O Lúcifer segue a ideia de desconstrução do conceito formado em nossas mentes, é um personagem interessante com sérios problemas de bebida, que se comove com certas coisas e chega até a se abrir e ser consolado por alguns demônios.

 

Mesmo com esse universo único e personagens variados, o jogo se torna cansativo com os extensos diálogos e falta de interatividade (mecânica), portanto não é um jogo para quando se quer relaxar. Pelo valor de R$38 (novembro/2019), After Party é ideal para quem gosta de jogo com apelo narrativo e menos jogabilidade, é quase como se estivesse assistindo um filme longo.

 

O jogo tem uma boa proposta, com história interessante, mas a sensação de não ter um avanço é grande, pois diversas vezes as missões pedem para voltar ao ponto que já estava antes, ficando essa sensação de um ciclo vicioso, não saindo do lugar. Os pequenos ápices do game são os jogos de bebidas, onde os diálogos interessantes rolam soltos, porém como uma boa parte do jogo é conversas prolongadas, se torna algo cansativo demais. Essas partes podem ser mais uma analogia com a vida humana, como ter que ficar em uma fila enorme para ir na casa do Lúcifer, chegar sua vez e não conseguir entrar.

 

Nossas vidas já têm muita burocracia, e se sua ideia é chegar em casa depois de um dia cansativo e jogar algo para acalmar a mente, After Party não é indicado

 

 

After Party

Plataforma: PS4

Desenvolvimento: Epic Games

Nota: 8/10

 

 

Sobre os Autores:

Barbara Queiroz

Barbara Santos de Queiroz é estudante de Design no último semestre da faculdade ESPM e uma amante de cinema, games e livros. Sua paixão por jogos nasceu com o Nintendinho e desde esse momento já passou por diversas plataformas e gêneros.

 

 

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