Análise: Assassin’s Creed Valhalla

Seria o melhor game da franquia até aqui?

 

Confesso que Assassin´s Creed é minha franquia preferida no mundo dos games, e não apenas pelo estilo de jogo. Como um fã de história, acho incrível poder reviver grandes períodos do passado, suas crenças, costumes e personagens históricos. Aliado a isso, a trama contada, principalmente nos primeiros games, era muito bem desenvolvida. Como cometei em uma das minhas primeiras análises aqui no Kapoow!, parece uma mistura de Total Recall e Highlander.

 

Sempre quando um novo jogo de AC é lançado, já nos perguntamos que período comtemplará? Normalmente a Ubisoft parece adivinhar e nos presenteia com um contexto melhor que o outro e, em Valhala, não poderia ter acertado o machado mais no alvo.

 

Com séries como Vikings e Last Kingdom em alta e pela boa aceitação de Kratos desbravando as terras nórdicas, no mais recente God of War, nada mais justo que apostar nos barbudos briguentos e loucos por hidromel. E a escolha foi perfeita!

 

Trama e Período Histórico

Como mencionado acima, Valhala, nos leva ao período das invasões nórdicas a Inglaterra, mais precisamente 8 anos após a formação do Grande Exército Pagão, formado pelos filhos de Ragnar Lothbrok, para vingar sua morte e, claro, se situar em terras britânicas.

 

Infelizmente, para tristeza de muitos, inclusivo do analista que vos escreve, Ragnar já está morto no game, e apesar de ser mencionado em diversos momentos da campanha, é representado por alguns de seus filhos, ficando mais como uma grande inspiração Viking e temor inglês. Algo parecido ao que vivenciamos em Odissey, quando Leônidas e seus 300 eram apenas lembrança e adoração (apesar que, neste caso, chegamos a ver e até jogar um pouco com o rei Espartano). Uma pena, até o momento, não podermos ver e jogar com o icônico nórdico, o mesmo se aplica a sua famosa esposa e guerreira Lagertha. Quem sabe em uma futura DLC, não é? Fica a dica para a Ubisoft.

 

Ao que compete a trama, jogamos com Eivor, uma criança que teve sua vila invadida e seus pais mortos por um clã vizinho, e ao crescer, busca vingança e se aventura em invasões e conhecendo certas “Ordens”, as quais deve pertencer e combater.

 

Fica a seu critério escolher se o Eivor que irá iniciar será homem ou mulher. Mas caso esteja em dúvida pode deixar a cargo do Animus (que novamente aparece pouquíssimo durante o jogo).

 

 

Eivor mulher, homem ou à escolha do Animus. Imagem. Screenshot/Víctor Aliaga

 

 

A trama não é das mais desenvolvidas e tampouco inovadora, mas o mundo que está inserido é o que chama mais atenção, deixando a “história real” se sobressair a ficção. Levando em conta inclusive as disputas religiosas do período, uma abordagem muito rica do ainda inicial cristianismo e principalmente a fé nórdica.

 

Algo diferente do que vimos em Odissey, aqui a disputa entre Assassinos e Templários já aparece com mais ênfase, mesmo que ainda bem mais a parte do que os primeiros games da série, e não que isso seja ruim, mas escancara um problema que a franquia vem sofrendo desde AC Revelations e comento a seguir.

 

Personagens

Não há como negar, os capítulos vão se aperfeiçoando, ideias e períodos empolgantes, mas ainda falta algum personagem que se compare a Ezio Auditore. Infelizmente apesar da grande melhora trazida por Eivor, independentemente da versão, fica difícil ter o mesmo carisma do mais famoso mestre assassino. Mesmo assim é a melhor desde Edward Kenway, chegando a igualar com o pirata. Mas parece faltar algo para amarrar a trama e até trazê-lo novamente, mesmo em lembrança em um futuro game.

 

Assassin's Creed Valhalla: dubladores brasileiros revelados – Pulo Duplo

 

No contexto histórico embarcamos no mundo da série Vikings e temos alguns de seus personagens mais icônicos. Mesmo não tendo fisicamente Ragnar, ele é recordado constantemente, além de seus filhos Ubba, Halfdan e o insano Ivar! Já pelo lado saxão, o grande nome é do rei Alfredo.

 

Para surpresa de muitos, em Valhala, Ivar não é literalmente o “Desossado”, não tendo qualquer problema físico (já mental…), e explica sua versão do apelido em uma cena com o protagonista. Esse foi outro detalhe que me decepcionou, pois acredito que, além do “erro” na representação do personagem, aumentaria a curiosidade em ver o temido nórdico em sua versão mais conhecida. Fora isso Ivar é tão louco quanto o vemos na série do History!

 

 

No spoilers] Ivar The Boneless in Assassin's Creed Valhalla : vikingstv

 

É sentida a falta, até aqui, de Bjorn Ironside, um dos mais famosos filhos de Ragnar, mas se levarmos em consideração historicamente, ele estaria mesmo em outras incursões.

 

Além dos personagens acima mencionados, temos vários easter eggs históricos e aparições que vão elevar o game a outro “patamar”! Uma incrível surpresa!

 

Novidades na jogabilidade

Alterações foram feitas em relação ao game anterior, além de várias opções e incrementos que tornam a experiência melhor e longeva.

 

Nesta versão, AC se assemelha demais a The Witcher 3, desde a técnica de combate, inventário, runas em armas, coleta de itens e até min games e missões menores que, vão divertir e mergulhar ainda mais no mundo vivido por Eivor.

 

Assassins-Creed-Valhalla-Preview

 

Aqui seus pontos de habilidades são imensos, uma repleta constelação de possibilidades. Fique sempre atento para aumentar seu nível, pois vai loooonge!

 

Assassin's Creed Valhalla Builds On Odyssey in Some Smart Ways

 

Outra dica é melhorar seu assentamento, ele é essencial para contribuir com a melhoria de seu personagem e para isso fazer incursões e saquear é importantíssimo.

 

A personalização de Eivor também ganhou opções como tatuagens e cortes de cabelo, assim poderá mudar seu visual sempre que quiser.

 

A águia agora é um corvo (símbolo nórdico) e mantém suas funções, porém é menos eficaz e orienta menos, dificultando um pouco a leitura de fortes e missões. Seu cavalo agora também depende de seu “treinamento” para desenvolver habilidades, além de poder ser substituto por um lobo gigante, uma ideia muito bem elaborada.

 

Agora é possível pescar, coletar diversos itens e vende-los, apostar quem bebe mais hidromel e até jogar Orlog, game nórdico do século 9, que substituiria ao Gwent, que acompanhamos no jogo do bruxo, porém sendo uma mistura de dominó e xadrez. É sensacional!

 

Assassin's Creed Valhalla: Orlog guide -- Winning new God Favors

 

Watch 30+ minutes of new 'Assassins Creed: Valhalla' gameplay

 

A única coisa chata são os duelos de “repentes”, mas servem para elevar nível de carisma, auxiliando no convencimento e negociação durante a campanha.

 

As lutas também estão mais difíceis e demanda muito mais atenção ao jogador. Sua vida não recupera automaticamente como antes, é necessário sempre ter “rações” disponíveis para poder repor as energias, por isso muito cuidado no combate ou morrerá com muito mais frequência. O arco e o escudo, mais do que nunca viraram peças essenciais. Ainda em relação ao combate, os golpes estão muito mais brutais, com desmembramentos e decapitações aos montes, não poderia ser diferente em se tratando de Vikings.

 

Não esqueça de recrutar companheiros para suas campanhas, eles estão espalhados pelo mapa e ajudam muito sua tripulação, pois tem um nível superior ao que iniciam o jogo.

 

Desta vez temos um mapa ainda maior, com uma possível escolha em que país seguir as missões. Para quem gosta, prepare-se para muitas horas e desafios, pois não sairá da Valhala tão cedo!

 

Gráficos

O que mais me empolga ao jogar os games de AC, é a adaptação ao período histórico. Tudo é tão pensado a perfeição que faz com que tripliquemos nosso tempo de jogo. A cada povoado, cidade, forte, ruinas, montanhas repletas de gelo e nevascas, em qualquer ambiente ficamos impressionados com a representação. É algo lindo de ver, uma imersão completa.

 

Assassin's Creed Valhalla's Main Character Will Have A "Coherent Personality"

 

 

Yes! You Can Go To The Stonehenge in Assassin's Creed Valhalla

 

Em relação as aparências dos personagens em cena, fica muito claro a atenção aos principais, especialmente Eivor. Em ambas as versões as expressões faciais, barba, cabelo, olhos e detalhes estão incríveis. Já quando comparamos aos demais habitantes a diferença chama a atenção, ficando claro uma certa “preguiça” no desenvolvimento, sendo possível identificar várias pessoas com os mesmos rostos, mesmo aquelas que acabam por ter falas com você. Mesmo assim, nada que estrague a experiência.

 

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Trilha Sonora

Esse ponto poderia ser muito mais explorado. A trilha tem participação do compositor nórdico da série Vikings e é belíssima, lembrando em alguns momentos também Last Kingdom, porém é tocada poucas vezes pela sua excelente qualidade. É possível ouvi-las principalmente em incursões.

 

 

Bugs demais e outros problemas

Infelizmente Valhala tem seu “Calcanhar de Aquiles” (Eita…Grécia foi em Odissey) kkkk

Brincadeiras a parte, confesso que não via tantos bugs em AC desde o fatídico Unity. Realmente são muitos e alguns chegam a irritar. Chego a pensar que talvez o lançamento deveria ser postergado para evitar esses problemas.

 

Ficar preso entre rochas, pessoas voando, falando com o nada, inimigos sem ação e travados, pessoas sumindo…são inúmeros e me forçaram até a reiniciar o jogo em algumas oportunidades.

 

 

 

A dublagem em português, apesar de boa, também sofre com vozes entrelaçando umas nas outras, atrasos, sem sintonia com o personagem e trechos sem sons. Uma pena!

 

Além disso, tive alguns problemas no Ps4 durante a jogatina, onde o game avisa que houve erro e simplesmente fecha. Fiquei sem entender, mas acredito que Ubisoft precisa rever essa situação e pensar seriamente em uma atualização de correção urgente, pois diminui muito o lindo trabalho feito com o game. Mas, se isso não acontecer, sempre podemos pensar que ocorreu uma falha no Animus, não é?

 

 

Conclusão

Assassin´s Creed Valhala tem um potencial incrível e acredito, sim, ser o melhor da série! Uma imersão fantástica ao mundo Viking que atrai tanta curiosidade, com paisagens e locais retratados a perfeição, além de uma surpresa muito agradável (não darei spoilers!). Mesmo sem a presença de um ou outro ícone histórico e algumas abordagens, é bem servido neste quesito, incluindo os personagens principais um pouco mais carismáticos.

 

Algumas novidades no gameplay são muito bem-vindas e aumentam a diversão e entretenimento, evitando cansar rapidamente e gerando muitas horas de jogo.

 

A lamentar os bugs vivenciados durante a jogatina, compensada pelos belíssimos gráficos e uma trilha empolgante. A experiência vale a pena!

 

Agora nos resta esperar qual será o próximo passo. Se puder dar um conselho, NUNCA coloquem Assassin´s Creed no presente, estragaria totalmente a série. Acredito que um mega mapa com as civilizações Incas, Maias e Astecas seria uma incrível continuação, o que acham?

 

 

Assassin’s Creed Valhalla

Data de Lançamento: 10/11/2020
Nota: 9/10 (com bugs) / 10/10 (sem bugs)
Estúdio: Ubisoft
Desenvolvedor:  Ubisoft 
Plataformas: PlayStation 5, Xbox Series X, PlayStation 4, Xbox One, Google Stadia, Microsoft Windows

 

 

 

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Análise: Assassin’s Creed Valhalla

Fábio Silvestrini
Sobre o autor
- Italo-hispânico com personalidade mais puxada para a segunda, Silvestre é formado em propaganda e marketing, mas viveu boa parte de sua vida curtindo games em terceira pessoa, futebol e estrelados por personagens famosos dos cinemas e dos HQs. Dos quadrinhos, aliás, nasceu outra de suas paixões, o desenho. Logo, não se espante caso algum review do cara venha acompanhado por alguma ilustra bacana.