Análise: Black Mirror: Bandersnatch

11/01/2019 08:33
   

Este filme tem tudo a ver com games e filosofia! Maluquice, Kapoow!

2019 mal começou e já vemos sinais claros de inovação tecnológica, finalmente!

A série aclamada Black Mirror voltou com uma espécie de filme interativo, ou um jogo com várias escolhas ao longo da história. Não são todos os dispositivos que rodam a tecnologia, em casa mesmo só funcionou no Playstation e as solicitações de decisão emitem sinais ao seu dualshock, permitindo interação com possíveis caminhos à narrativa, o que muda teoricamente os finais. Dizem que existem vários términos possíveis para a trama, experimentei apenas dois deles.

Se não assistiu a série, não tem problema, pois mantendo o padrão inglês, esta sequência psicodélica te prende ao tema e não permite que desvie o olhar da telinha. O centro da discussão está um jovem programador de games dos anos 80, que se inspira em um livro para compor um lançamento para o natal.

Envolvido pela conturbada história do criador do livro “Bandersnatch” (referência a um “animal fabuloso” por Lewis Carroll, em Alice Através do Espelho), e de um outro jovem programador, porém já bem sucedido, começa a navegar em um labirinto que permite diferentes e alucinantes finais, de acordo com as escolhas do leitor. Aos poucos o personagem não distingue mais o que é realidade e imaginação, e leva o telespectador à mesma vivência.

No final desta trama saímos com aquela sensação de pulga atrás da orelha, questionando até se somos mesmo manipulados de alguma forma. O diferencial desta produção está em oferecer ao telespectador a estranha sensação de comando sobre a vida de alguém, mesmo que por vezes seja contra seus princípios e valores. Conceitos de livre arbítrio, psicanálise freudiana, falsa sensação de decisão do operador ou fantasias com teorias da conspiração? Somos mesmos protagonistas de nosso futuro, ou meras marionetes de um sistema? 

Filosofe, saia da caixinha! Kapoow!

Observações: tive problemas ao carregar o filme, a resolução parecia baixa e algumas vezes travava. Pode ser pelo peso do vídeo ou oscilações em minha internet.

Uma das opções permite mandar um sinal direto ao personagem, como se nós fôssemos verdadeiros manipuladores do futuro. Louco! Optando pelo símbolo do Netflix a história fica ainda mais maluca e sob o efeito das dorgas! kkkkk

Produção: Netflix

Lançamento: Dez/2018. 

Nota do Autor: 9

Analista: Wagner Botelho

Wagner Botelho
Sobre o autor
- é formado em filosofia (sim, isso mesmo! rs), divide sua paixão entre as séries, filmes, games e família. Estudioso sobre as religiões e as juventudes, gosta de conversar, interpretar e (re)significar a religiosidade em suas diferentes manifestações, linguagens e paisagens presentes nas culturas e nas sociedades.