Análise: Cobra Kai

A volta do verdadeiro Karatê Kid e dos anos 80!

 

Inicialmente transmitida pelo Streaming do Youtube, Cobra Kai, série que traz de volta o mundo de Karatê Kid, 35 anos depois do primeiro filme da série, tem como ideia dar aos fãs uma continuação da saga de Daniel-san (Ralph Macchio), mas de uma forma um pouco diferente.

 

Ok, tivemos o filme com Jaden Smith e Jackei Chan em 2010, mas ali não era Karatê Kid, né? Inclusive Wiil Smith é um dos produtores de Cobra Kai.

 

Desta vez o foco não é só em Daniel LaRusso, mas em grande parte em seu arquirrival Johnny Lawrence (William Zabka).  A série transforma a vida dos protagonistas de ponta cabeça, nos trazendo agora um Johnny falido, pai ausente mas arrependido, e preso em seu passado de “derrota”, enquanto LaRusso é um vendedor de automóveis bem-sucedido e referência quando o assunto é caratê.

 

Em sua primeira temporada, vemos realmente uma virada em tudo que acompanhamos na saga dos filmes. Um Johnny diferente, muito mais humano e triste. Para muitos ele será o herói e Daniel o vilão, mas isso vai depender de cada olhar. Na segunda temporada as coisas mudam, mas não totalmente.

 

Sem levantar muitos spoilers, pois o próprio nome da série já revela, Johnny decide reabri a academia Cobra Kai, incentivado por um jovem imigrante equatoriano, Miguel Díaz (Xolo Maridueña), que o vê em ação e quer aprender a arte marcial, com o agora, seu sensei. Tudo parece ir bem, mas o problema é a rivalidade de seu passado que não consegue esquecer a derrota para LaRusso e a perda de sua amada.

 

Bom, passado a breve sinopse e sem invadir muito a trama, vamos ao que a série nos traz de melhor e o que pode ainda ser melhorado.

 

A nostalgia é o ponto principal! Principalmente na primeira temporada, Cobra Kai nos remete a uma imersão aos anos 80, revivendo o clássico filme e recheado de easter eggs de outras produções da época. Além dos flashbacks temos TODOS os personagens interpretados por seus atores originais, o que é incrível! Desde a mãe de Daniel, o grande vilão John Kreese (Bom rever o clássico vilão dos anos 80, Martin Kove) até os amigos de Johnny, estão todos lá. Inclusive podemos notar que o tempo foi melhor ou pior para alguns. As locações também são as mesmas nos deixando cada vez mais integrados entre passado e futuro. Impossível não se esboçar um sorriso e até emoção em algumas cenas.

 

A melhor parte fica por conta do retorno e interpretação dos protagonistas. Tanto Macchio, e ainda mais Zabka, estão excelentes em seus clássicos papeis. O velho Johnny aliás é o grande ponto alto da série, roubando a cena e dando um carisma maior que o próprio Daniel-san. O antigo “valentão” preso em seu mundo oitentista chega a ser hilário! Com suas camisas rock, modos preconceituosos e não saber nada de tecnologia.

 

A trama em si não é sensacional, muito longe disso, e tampouco inovadora. Não poderíamos esperar muito mesmo neste sentido, em se tratando de uma sequência, e até que na primeira temporada ela flui bem, ainda melhor quando acompanhamos o ponto de vista de Johnny. Já na segunda poderia ser bem melhor, ficando extremamente previsível e com um toque de “Malhação” que chega em determinados momentos a irritar de tão brega.

 

Enquanto o foco estava apenas em saber o que ocorreu mais de 30 anos depois e como os protagonistas levariam suas vidas, analisando seus conceitos e revivendo fantasmas do passado, trazer a disputa entre Cobra Kai e Miagui-Dojo se perde um pouco e ainda mais com um elenco adolescente muito pouco inspirado, a exceção de Díaz aprendiz de Johnny. Neste ponto a nostalgia oitentista deixa de ser interessante.

 

A coreografia das lutas é outro ponto negativo, ainda mais com os atores adolescentes, que em momentos chega a constranger. Para uma série que trata praticamente só de caratê, é um erro gravíssimo.

 

Fica aqui também um pouco de frustração ao ver tão pouco sobre o Sr. Myagui. O personagem do saudoso Pat Morita, falecido em 2005, poderia ser muito mais explorado. Mesmo presente nos locais, flashbacks e saudades de Daniel, ainda é pouco para um personagem que era o coração de Karatê Kid.

 

Agora na Netflix, Cobra Kai tem tudo para crescer. A série é um presente para nós, filhos dos anos 80 e uma grande oportunidade para a nova geração conhecer a saga de Daniel-san. A atuação dos protagonistas, principalmente Johnny é excelente e carismática, mas ainda precisa rever o caminho a seguir no que diz respeito a roteiro, núcleo adolescente e coreografias de luta. O final da segunda temporada é um deixa para a continuação e com uma boa premissa a vista. Vale a pena conferir!

 

Cobra Kai – 1ª e 2ª Temporadas

ANO:2020 / PAÍS: EUA

YOUTUBE/NETFLIX

PRODUTORES‎: ‎Katrin L. Goodson, Bob Wilson, Wiil Smith

DIREÇÃO: Josh Heald, Jon Hurwitz, Hayden Schlossberg
ELENCO: Ralph Macchio, William Zabka, Martin Kove, Xolo Maridueña, 
Nota: 7,5/10

 

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Análise: Cobra Kai

Fábio Silvestrini
Sobre o autor
- Italo-hispânico com personalidade mais puxada para a segunda, Silvestre é formado em propaganda e marketing, mas viveu boa parte de sua vida curtindo games em terceira pessoa, futebol e estrelados por personagens famosos dos cinemas e dos HQs. Dos quadrinhos, aliás, nasceu outra de suas paixões, o desenho. Logo, não se espante caso algum review do cara venha acompanhado por alguma ilustra bacana.