Análise da 1ª temporada de “Bárbaros”, mais uma série histórica da Netflix!

Surfando na onda de sucesso de Vikings e The Last Kingdom, a Netflix lançou a série alemã Bárbaros, que conta um dos capítulos mais importantes e fundamentais para a história do mundo ocidental: a Batalha da Floresta de Teutoburgo, ou Desastre de Varus, em 9 d.C.

 

Um levante bárbaro de povos germânicos impede o avanço de três legiões do Império Romano, algo impensável para aquela época contra o poderio italiano que varria o mundo até então “descoberto”. Era o início da queda do império. Nesta primeira temporada temos 6 episódios de aproximadamente 45min.

 

Para os aficionados por história e cultura como nós aqui do Kapoow, esta é mais uma oportunidade de ver na tela o que lemos nos livros. O jornalista Wender Starlles escreveu uma boa matéria para o site Guia do Estudante, na qual traz aos alunos importantes referências históricas da trama. Por exemplo: “a expressão ‘bárbaro’ surgiu entre os gregos antigos que não entendiam os sons guturais (produzidos na garganta), semelhantes a ‘bar-bar’, dos idiomas de outros povos”. Era um termo preconceituoso para se referir a qualquer pessoa estrangeira, e que no século 1 a.C. foi utilizada pelos romanos com frequência para todas as tribos além das fronteiras de seu império.

Diante disto, como não lembrar dos relatos bíblicos do início do cristianismo na remota Jerusalém, ou mesmo os recortes da série Vikings, e a forma com que os ingleses e franceses tratavam os estranhos que invadiram suas terras? O mítico diálogo entre Ragnar e o Rei Ecbert é algo espetacular: o que é, de fato, ser pagão ou ser um bárbaro?

 

Vamos à análise desta série

Apesar do bom apelo histórico, ainda mais por ser gravada por alemães, a trama é um pouco fraca. Aos acostumados com o ritmo de outras séries, falta profundidade nos diálogos e aquela pimenta de sangue, poder e sexo, sabe? Poderiam explorar melhor a crueldade romana, como o exemplo da crucificação, mas a série mostra a cena como algo sem muito valor. A batalha final é o ponto alto da trama, gostei bastante dos detalhes, apesar de ser retratada de forma rápida, poderia ter sido ampliada para dois episódios no mínimo, já que historicamente a luta demorou dias.

 

A série começa com a chegada do Império Romano às tribos germânicas e o aumento da cobrança dos impostos para o povo já praticamente pobre. Como parte da garantia do pagamento, raptam diversas crianças, entre elas Armínio (Laurence Rupp), que se tornará um dos personagens principais da trama. Criado distante de seu povo, recebe formação militar, conquista cargos e a confiança entre os romanos, tornando-se um jovem oficial e conselheiro do governador da Germânia Públio Varus (Gaetano Aronica).

 

Enquanto isto na parte “bárbara”, sem uma liderança comum, Thusnelda (Jeanne Goursaud) é a filha do príncipe da tribo Cherusci, apaixonada por Folkiwin (David Schütter). Na vida adulta, Armínio volta à região e começa a modelar o seu rancor, arquitetando um plano de impedir o avanço romano sobre sua tribo. Para isto precisa costurar uma aliança entre as diferentes lideranças, mas cria inimizades e desconfiança inclusive com o seu povo. Com a suposta morte de Folkiwin, Armínio toma Thusnelda como sua esposa. Apesar de ser uma personagem histórica importante, na trama a figura feminina foi totalmente modificada para se parecer com uma Lagertha, de Vikings. Uma pena.

Tendo a confiança do pouco experiente Governador Romano, indica-lhe um atalho na Floresta de Teutoburgo para chegar à conquista das tribos, mas esta é uma área de densa vegetação, colinas e barrancos. Lembra as batalhas em que os mais fracos escolhem o terreno e ganham vantagem diante disto.

As 3 Legiões são obrigadas a se reorganizar no terreno e tornam-se presas fáceis para os nativos, devidamente organizados para esta batalha. Como uma serpente, a cabeça demora a perceber os golpes do corpo, e no trajeto os solados são obrigados a se separar em grupos menores para o combate, sendo terrivelmente massacrados.

Armínio é considerado historicamente como o Pai Original dos Alemães, pois a vitória retratada na série ajudou a criar uma identidade própria aos germânicos e diminuir a influência romana entre as tribos.

 

A 2ª temporada já está confirmada pela Netflix, vamos aguardar como esta trama irá se desenrolar após esta derrota Romana.

 

Bárbaros

Nota: 7/10.

Elenco: Laurence Rupp, Jeanne Goursaud, David Schütter

Criação: Arne Nolting, Jan Martin Scharf, Andreas Heckmann

Disponível em: Netflix

Análise da 1ª temporada de “Bárbaros”, mais uma série histórica da Netflix!

Wagner Botelho
Sobre o autor
- é formado em filosofia (sim, isso mesmo! rs) e pedagogia, divide sua paixão entre as séries, filmes, games e família. Estudioso sobre as religiões e as juventudes, gosta de conversar, interpretar e (re)significar a religiosidade em suas diferentes manifestações, linguagens e paisagens presentes nas culturas e nas sociedades.