Análise: Demolidor 3ªTemporada

23/11/2018 18:23
   

Demolidor: realidade, ficção, crenças e o mundo dos games

 

Inauguramos esta coluna em nosso site, abrindo espaço para conversarmos sobre outra grande febre no mundo geek: filmes e séries!

 

A estreia tando da coluna quanto minha, é a análise da 3ª temporada de Demolidor, série americana da Marvel (que inclusive pertence ao mesmo universo do cinema, o famoso MCU), criada para a Netflix. Além de ser um sucesso recém lançado, peguei-me imaginando como seria um game dedicado a este “homem sem medo”… a perda da visão, a adaptação no orfanato, os treinos de boxe e a resolução dos primeiros casos mais simples, até chegar a enfrentar o Rei do Crime. Desta curiosidade, descobri que há indícios na net afirmando que houve um projeto antigo dedicado ao Daredevil, para o “finado” Playstation 2, pena que foi abandonado, mas que seria muito bem recebido na geração atual, e no melhor estilo Arkham.

 

Fato é que estamos diante de um dos mais humanos dos heróis. Um cara com dificuldades e superações como qualquer portador de necessidades especiais, angustiado entre o bem e o mal. Um vigilante da Marvel, mas no estilão DC (ou porque não ser mais direto, Batman!), que busca soltar os seus demônios, em um contraponto com a luta pelo perdão dos pecados. Filosofando, sob os cuidados da Irmã Maggie, o protagonista se regenera não apenas em corpo, como em alma, questionando a necessidade da existência tanto do Demolidor, quanto de si mesmo. Sofrendo com a perda de Elektra, culpa-se e ainda divide o fardo com a Deus, que deveria ser piedoso, mas permitiu que seus amados fossem colocados em perigo. “Não podemos mudar nossa natureza fundamental”. Para pensar!

 

Confesso que não assisti Os Defensores, e também não sou tão fã de HQ´s como meus colegas do Kapoow!, e depois de tanto tempo, já nem lembrava como havia terminado a segunda temporada (março de 2016). Estes novos 13 episódios começam justamente do ponto em que acabou a união dos heróis. Após um prédio ruir, o herói é resgatado pelo mesmo orfanato religioso em que cresceu após a morte do pai.

 

Notei um paralelo entre a ressurreição do Demônio de Hell’s Kitchen e do Rei do Crime (que rivaliza com Thanos o posto de melhor vilão da Marvel), ambos recomeçam do zero. Matt Murdock tenta recuperar sua dimensão espacial, audição e o boxe, e retoma a toca para lutar, abandonando inicialmente o traje tradicional. Mr. Fisk consegue liberdade condicional por colaborar na investigação da máfia albanesa na cidade, ainda movido por seu amor a Vanessa. Ajuda a prender diversos bandidos, o que faz aumentar também a sua lista de desafetos. Tudo faz parte de mais um plano articulado por esta mente brilhante, um colarinho branco de nossos tempos.

 

As histórias vão começando a se aproximar conforme passam os episódios e elevam a tensão do espectador pouco a pouco. Não deixemos de lado os demais personagens importantes na trama: Foggy e Karen, e os agentes Nadeem e Poindexter.

 

Enfim, vale a pena dedicar tempo para assistir esta grande produção, que, para mim, é a melhor série de herói nos streamings!

 

Ahhh…ia me esquecendo. Marvel, já passou da hora de inserir o Demônio de Hell´s Kitchen nos cinemas, não é? Afinal, é muito mais legal do que Gavião Arqueiro ou o Falcão.

 

Produção: Marvel/Netflix

Lançamento: 3ª Temporada – Out/2018

Nota do Autor: 10

Analista: Wagner Botelho

Wagner Botelho
Sobre o autor
- é formado em filosofia (sim, isso mesmo! rs), divide sua paixão entre as séries, filmes, games e família. Estudioso sobre as religiões e as juventudes, gosta de conversar, interpretar e (re)significar a religiosidade em suas diferentes manifestações, linguagens e paisagens presentes nas culturas e nas sociedades.