Análise: Drácula

09/01/2020 23:39
   

O poder de estragar boas histórias!

 

Sem dúvida um dos personagens mais incríveis da literatura, e por que não dizer da história (para quem ainda não sabe, Drácula sim existiu, era o guerreiro e líder romeno Vlad Tepes, o Empalador, base de inspiração de Bram Stoker), o vampiro mais famoso do mundo ganhou uma série pela Netflix, através dos criadores de Sherlok, famosa série protagonizada por Benedict Cumberbach (Doutor Estranho).

 

Com muitos ingredientes para mais uma boa adaptação, a história seria baseada no livro de Stoker, algo ainda mais promissor. Mas realmente conseguiram estragar e muito!!

 

A série é “curta”, com três episódios apenas, mas com longa duração cada. E neste momento temos sensações bem distintas, cada um deles tem um nível diferente de qualidade, algo muito estranho.

 

No primeiro temos o melhor, bem ao que conhecemos do livro clássico e inclusive lembra o filme de Francis Ford Coppola (1992), principalmente no visual. Revemos saga de Jonathan Harker chegando a Transilvânia e encarando os desafios no castelo. Apesar de algumas alterações na condução e em personagens, não chega a incomodar e até nos acostumamos que seria uma nova abordagem. Bem estilo terror e até bem violento, temos ali o próprio Príncipe das Trevas imaginado pelo escritor irlandês. Apenas pode causar impacto negativo a abordagem de Van Helsing.

 

No segundo episódio temos a famosa viagem de Drácula para Inglaterra a bordo do navio Demeter. Abordado de forma diferente, nesta versão, o Conde está junto a tripulação e temos um verdadeiro jogo de detetive durante o percurso, conforme os primeiros assassinatos acontecem. A série começa aqui a perder grande parte de seu entusiasmo, bons personagens são superficiais quando pareciam e poderiam ter certa importância, e tudo acaba cansativo e pouco empolgante.

 

Aí chegamos ao terceiro e último episódio. O desastre total!!

 

Poucas vezes vi em série ou filme mudança tão drástica de qualidade e narrativa. Parece que vemos outra coisa que em nada lembra o primeiro episódio e muito menos o clássico de Bram Stoker. Drácula aparece no presente, já sabendo de tudo mesmo ficando adormecido por mais de 120 anos (ok, a série tenta convencer desde o início sobre isso, mas não dá para engolir!). O jeito descolado, com situações muito fora do contexto, causa estranheza ao espectador logo no começo do capítulo. Tudo é muito corrido, apesar do tempo de duração, é desconexo, perdendo inclusive as discussões intelectuais entre o vampiro e seus adversários ou vítimas, transformando o personagem em verdadeiro ‘bocó”, e lembrando o “tiozão da Sukita” (essa é tão velha como o próprio Drácula. kkk). O desfecho beira o ridículo e a sensação ao terminar é de raiva ao perceber quanto tempo perdemos ao assitir os episódios anteriores. Literalmente um horror!!

 

Se existe algo a ressaltar de bom, além do capítulo inicial, é a performance do Drácula, vivido pelo ator Claes Bang. Com boa performance, conseguiu ao menos respeitar o clássico personagens, com um visual que lembrou o saudoso Christopher Lee, é sanguinário ao pé da letra, tem bom diálogos e um ar meio sarcástico, algo faz parecer normal a vida de vampiro e um vilão com potencial.

 

Infelizmente conseguiram estragar um clássico, algo me deixou mais chateado do que assistir ao triste Drácula 2000 (Me recusei a ver o 3000). Com grande potencial, perdeu a chance de abrir o caminho para outras séries do mundo dos monstros como Lobisomem, Frankenstein, entre outros. Decepcionante!

 

Drácula

Lançamento: Dezembro 2019

Emissora: Netflix

Elenco: Claes Bang/ John Heffernan/ Dolly Wells

Nota: 2/10

 

Fábio Silvestrini
Sobre o autor
- Italo-hispânico com personalidade mais puxada para a segunda, Silvestre é formado em propaganda e marketing, mas viveu boa parte de sua vida curtindo games em terceira pessoa, futebol e estrelados por personagens famosos dos cinemas e dos HQs. Dos quadrinhos, aliás, nasceu outra de suas paixões, o desenho. Logo, não se espante caso algum review do cara venha acompanhado por alguma ilustra bacana.