Análise: Dragon Ball Kakarot

03/02/2020 21:12
   

Ao jogar Dragon Ball Z: Kakarot, é de estar controlando os personagens dentro do próprio anime. Isso é maravilhoso, porem às vezes parece monótono quase que na mesma proporção. Com legendas em PT-BR e  áudios em inglês ou japonês, DBZ: Kakarot chega para PC, PS4 e Xbox One com a proposta de um RPG de ação num mundo semiaberto.

 

O jogo

 

Se você é fã da série Dragon Ball e assistiu todo o primeiro arco e o segundo (Dragon Ball Z) o que vai encontrar em Kakarot são referências destes animes, especialmente os da saga Z. Game tem um foco enorme a nostalgia dos que curtem as aventuras de Goku e sua turma.

 

A própria introdução do game, refaz a abertura de Dragon Ball Z, até tirar partes do anime, sem alterações alguma, e colocar uma forma do jogador interagir com todas as referências do anime que aparecem por lá.

 

Lembra do Gohan criança sendo treinado por Piccolo? Não tem aquela cena dele tendo que se virar para lidar com um dinossauro enorme que queria jantá-lo? Então, você vai poder enfrentar esse T-Rex. Tem também como jogar parte do episódio em que Goku e Piccolo são intimados por Chi-Chi a aprender a dirigir. Não darei mais spoilers mas estes são alguns exemplos de como Kakarot aproveitou a história já existente para compor a própria narrativa do jogo.

 

 

Apesar de Dragon Ball Z: Kakarot ser todo baseado no anime, isto não quer dizer que você irá jogar o anime em si e literalmente, todos os episódios. Para resumir um pouco por vezes você escutará a voz de um narrador adiantando alguns acontecimentos ou mencionando passagens de tempo. Este recurso também é usado para mudar o foco de um personagem jogável para outro.

 

Algumas mudanças na narrativa foram feitas também, apesar de não serem profundas. Alguns personagens tiveram a oportunidade de ganhar um pouco mais de espaço no game, em relação ao anime, especialmente nas missões secundárias.

 

Com a campanha principal é catalogada em episódios (como na série), o narrador sempre faz um resumo do capítulo passado e anuncia o título do episódio atual. Só para você já se preparar, o game tem inúmeros e as vezes cansativos diálogos.

 

Alguns colecionáveis estão espalhados pelo mapa, também te ajudam a relembrar (ou aprender pela primeira vez, se for novato na série) passagens importantes do primeiro arco da franquia, onde Goku ainda era uma criança.

 

 

Campanha

 

Tratando-se de um RPG de ação, DBZ: Kakarot sua campanha se distribuiu em episódios num mundo semiaberto, dividido por regiões específicas no mapa: como a região em torno da casa do Goku, da ilha do Mestre Kame ou da Corporação Cápsula, por exemplo. Conforme progredir na campanha, você poderá explorar (também de forma limitada) mapas diferentes, como o planeta Namekusei – onde Piccolo nasceu.

 

Bem no início do jogo, você vai achar fascinante poder voar por entre árvores, fazer loopings no ar ou mesmo correr em super velocidade pelo mapa, estando em missão ou mesmo só vagando por aí.

 

A exploração em DBZ: Kakarot limita-se (na maioria das vezes) a coletar OrbesZ para investir na árvore de habilidades dos personagens jogáveis, encontrar alguns pontos de treinamento, coletar itens, comprar e vender coisas, enfrentar ou desviar de inimigos aleatórios e extremamente repetitivos (que esbarram em você quase toda hora e sempre atacam da mesma forma), destruir algumas torres (processo bem simples, inclusive), pescar, caçar e cozinhar.

 

Lembrando, as sidequests valem mais para você desbloquear personagens e compor sua Comunidade (falarei disso mais adiante), além de conhecer um novo NPC ou relembrá-lo.

 

Um detalhe que me chamou muita atenção a primeira vista, o game tem algum tipo de sistema multiplayer de cooperação? Não.

 

 

Kakarot é um singleplayer.

O Fórum da Comunidade é onde você reúne os personagens (jogáveis ou não) que são desbloqueados ao longo da campanha. Isso pode acontecer seja por você controlar um lutador, se relacionar com um NPC de alguma forma ou após completar alguma missão (principal ou secundária).

 

Fórum da Comunidade, acessível pelo menu de pausa, é onde pode-se criar combos e garantir bônus em algumas áreas do gameplay, como combate, culinária, exploração, poderes, engenharia e etc.

 

 

Combates

 

Já adiando para os fãs da série, é bem comum tentar comparar Kakarot com Dragon Ball FighterZ, mas estes jogos têm propostas diferentes. Por isso, é natural que os combates em FighterZ sejam mais complexos, já que é um jogo de luta. Inicialmente, a maior dificuldade das lutas em DBZ: Kakarot é se acostumar e decorar em quais botões estão os golpes de cada personagem que você pode controlar.

 

Visualmente, os golpes mais poderosos são incríveis e com direito a todas as explosões, e com algumas rápidas cutscenes e efeitos sonoros do próprio anime. Bastante empolgante. Ah, não que seja imprescindível, mas é interessante comer algum prato especial antes de lutas importantes. Você ganha bônus diferentes para comidas variadas. (dica)

 

Visual

 

Dragon Ball Z: Kakarot você terá a sensação de controlar o próprio anime, tanto pela estética cartunesca do mundo quanto pelo visual dos personagens como já havia dito.  Apesar da fidelidade quase perfeita do desenho para o jogo, nota-se que nem tudo está 100% polido. Em alguns capítulos, é nítido a queda de qualidade do traço de alguns NPCs e objetos em relação a outros momentos da história.

 

Há alguns bugs durante os testes também. Em uma certa missão, Piccolo precisava falar com Yamcha e Kuririn. Ao encontrá-los e começar a cutscene de diálogo, ambos os personagens começaram a deslizar para fora do campo de visão da conversa, deixando Piccolo falando sozinho enquanto Yamcha e Kuririn pararam de deslizar ao se chocarem com uma parede. E lá ficaram grudados até a história mudar.

 

O clássico bug de ficar preso entre paredes ou dentro de animais e objetos também pode acontecer. Controlando Gohan, fiquei preso dentro de um dinossauro e em uma árvore. Felizmente, o jogo permite salvar a qualquer momento, então apenas carreguei um save anterior.

 

 

Conclusão

Vou ser mais que sincero, Dragon Ball Z: Kakarot é um “fan-service” divertido de jogar e relembrar momentos marcantes da saga Z. O que literalmente mais me decepcionou foi a falta da dublagem, mas… Não dá para ter tudo na vida.

Mesmo os que não conhecem a série com certeza irão gostar deste título, já que ele faz questão de explicar.

Consertando os bugs e, quem sabe, lançando DLCs para colocar atividades diferentes e mais interessantes no mundo a ser explorado, DBZ: Kakarot teria potencial para se tornar um RPG com elementos de ação bem desafiador. Charmoso ele já é, falta apenas algum ingrediente especial para que ele não fique esquecido na sua biblioteca de jogos, assim que terminá-lo.

 

Pós

  • A nostalgia para os fãs começa já na música de abertura
  • É possível conversar com vários personagens da saga Z
  • Combates dão um show na animação
  • Fórum da Comunidade funciona bem como sistema de bônus

 

Contra

  • Corrigir bugs
  • Inimigos aleatórios e repetitivos ao explorar o mundo
  • As atividades livres enjoam rápido demais

As missões secundárias podiam ser mais do que coletar itens e derrotar inimigos aleatórios.

 

Dragon Ball Kakaroti

Data de Lançamento: 17/01/2020
Nota: 8/10
Estúdio: Bandai Namco Entertainment, BANDAI NAMCO Entertainment America
Desenvolvedor:  CyberConnect2, Bandai Namco Entertainment
Plataformas: Playstation 4, Xbox One, Windows

 

 

Celso Deliberal
Sobre o autor
- Celso é formado em Tecnologia e um amante dos games e computadores. Procura fazer suas análises de forma certeira. Na gaveta!!!