Análise: El Cid, primeira temporada: boa, mas…

Na linha de narrativas medievais, a Prime Video lança mais uma superprodução original, El Cid. Outra boa investida em cultura e dramatização, para quem gosta, é claro!

 

Já analisamos aqui no Kapoow as séries similares: Bárbaros, Hernán e The Witcher. Além destas, a trama segue as receitas ao estilo Vikings, Last Kingdom, e Game of Thrones: jorrar sangue, luta, tramas de poder e sexo. Tudo bem, na minha humilde opinião não é lá como GoT ou Vkg, mas é boa sim.

 

Mas, porém, contudo, entretanto, todavia… apenas 5 episódios com duração menor que 1h cada? Poxa, esperávamos mais! Além disto vemos uma trama arrastada entre as discussões políticas e românticas.

 

 

Estrelada por Jaime Lorente (“La Casa de Papel” e “Elite”), “El Cid” conta a lenda castelhana de Rodrigo Díaz de Vivar, histórico guerreiro espanhol. “Herói. Traidor. Lenda”. Como diz o próprio título da Amazon.

 

Rodrigo viu seu pai morrer em batalha, sem a piedade do rei a quem serviu fielmente. Herda sua espada (que não usa na trama?!) com a promessa que conquistaria tudo com ela, e acaba levado por seu avô (Juan Fernández, o coronel Prieto em La Casa de Papel) para o reino de León, onde se torna pajem da coroa.

 

Se insere na corte do Rei Fernando “O Grande” (José Luiz Garcia-Perez) e recebendo a educação militar faz parte da guarda do príncipe Sancho. Ainda um jovem aprendiz, consegue evitar em segredo o assassinato do rei, arquitetado pelo Conde de León (Carlos Bardem, o Emir de Assassin’s Creed), o bispo (Juan Echanove) e a Rainha Sancha (Elia Galera). Concomitantemente, o Rei Ramiro de Navarra (Ginés García Millán), irmão do Rei Fernando, faz investidas para tomar o Reino de Aragão, que estava sob o domínio muçulmano, ou mouro.

 

 

Sancho é designado para defender a cidade de Graus, e leva consigo uma pequena parte da tropa, entre eles Rodrigo Díaz. Apesar de menor número, a luta se torna uma lenda e o jovem se destaca, ganhando o título de El Cid (do árabe, “o senhor”) e de Campeador (do espanhol, “campeão”). Os mouros acreditam em um Baraka, uma leitura dos sinais de que “ele é o homem”, alguém destinado por Deus para ser muito além do que qualquer um poderia ser. A Batalha de Zaragoza é muito bem feita e com muitos detalhes (o problema que após as batalhas de Vikings tudo parece ser muito curto e sem vida! rs).

 

 

Retornando a Léon, a primeira temporada termina com um misto de alegria pela vitória, mas a dor pelos últimos momentos do rei, supostamente envenenado secretamente a mando de sua própria filha Urraca (Alice Sanz). Anteriormente ela discute com seu pai sobre a sua sucessão como filha mais velha, assim como ele herdou a coroa pela mão da rainha de Leão, num contraponto à suposta natureza frágil da mulher. Num tom feminista, talvez até incomum para a época, não fica claro se é uma referência à futura rainha de Zamora, ou à sua sobrinha, Urraca I de Léon e Catela, conhecida por ser uma mulher livre e independente.

 

Antes de morrer, o Rei Fernando divide o reino entre os seus filhos e filhas e pede que eles se unam, prometendo nunca guerrear entre si. O reino conta ainda com Abu Bakr (Zohar Liba), sábio mouro e que parece que ganhará destaque na unificação espanhola, fundindo preceitos cristãos e muçulmanos graças à figura de El Cid Campeador.

 

Um destaque: a produção afirma que 70% dos locais das gravações eram reais como castelos, monastérios, igrejas, catedrais. Só o figurino de Jaime Lorente pesava cerca de 20kg.

 

Uma bonita filmografia, figurino e cenários. Parece mesmo que estamos vivendo em uma cidade medieval.

 

Aspectos históricos:

“El Cid” é um personagem real, histórico, que, no século XI, um nobre guerreiro castelhano que viveu no século XI, época em que a Espanha estava dividida entre reinos rivais de cristãos e mouros (muçulmanos). Sua vida e feitos se tornaram, com as cores da lenda, sobretudo devido a uma canção de gesta (a Canción de Mio Cid), datada de 1207, transcrita no século XIV pelo copista Pedro Abád, cujo manuscrito se encontra na Biblioteca Nacional da Espanha, um referencial para os cavaleiros da idade média.

 

Rodrigo nasceu em Vivar, uma pequena aldeia próxima à cidade de Burgos, capital do Reino de Castela. Órfão de pai aos 15 anos, foi levado para a corte do rei Fernando I de Leão, onde se tornou amigo e companheiro do infante Sancho. Sua educação se fez no monastério de San Pedro de Cardeña, recebendo ensinamentos sobre letras e leis.

 

 

Continuidade da série

Ainda não temos uma resposta oficial sobre o futuro de El Cid, mas pelo peso da trama e do elenco, é bem provável que teremos o desenrolar da trama junto ao agora Rei Sancho, e se respeitarem a parte história, a futura união dos reinos de Castela e Leão nas mãos de Afonso VI. A trama ainda pode explorar os conhecimentos jurídicos em favor do novo governante e a conquista das cidades de Sevilha, Granada e Toledo, que despertou a fúria e a oposição de vários nobres, sendo o protagonista banido do reino de Castela e Léon. Além dos polêmicos serviços prestados aos muçulmanos contra o Conde de Barcelona.

 

EL CID

Lançamento: dezembro 2020

Emissora: Prime Video (Amazon)

Elenco: Jaime Lorente, Alicia Sanz, Francisco Ortiz

Nota: 8/10 (com chance de 10!)

 

 

Análise: El Cid, primeira temporada: boa, mas…

Wagner Botelho
Sobre o autor
- é formado em filosofia (sim, isso mesmo! rs) e pedagogia, divide sua paixão entre as séries, filmes, games e família. Estudioso sobre as religiões e as juventudes, gosta de conversar, interpretar e (re)significar a religiosidade em suas diferentes manifestações, linguagens e paisagens presentes nas culturas e nas sociedades.