Análise: El Ministério del Tiempo

Quarta temporada termina com ar de despedida.

 

Quando falamos em séries espanholas o que te vem logo na mente? La Casa de Papel, provavelmente. Mas sabiam que apesar do fenômeno que se tornou “la banda del professor”, quem conquistou maior número de fãs em seu país de origem foi mesmo “El Ministério”?

 

Criação dos irmãos Pablo e Javier Olivares e dirigida por Marc Virgil (Silêncio no Pântano), uma série muito criativa e com uma gama de oportunidades que parece infinita, que foi plagiada pela estadunidense “Timeless” (comentado com humor em alguns episódios) e claramente inspira “Legends of Tomorrow”.

 

Na trama, o governo espanhol possui em segredo um “Ministério”, que está a cargo de manter a história da Espanha intacta. Com uma espécie de “buraco de minhoca”, onde existem portas que levem a diversos períodos do passado. Cabe aos “agentes do tempo” ir a cada período onde existe uma ameaça de mudança da linha temporal. As portas só funcionam em território do país, ou seja, nos períodos do tempo que as colônias ganharam independência, como México, Filipinas e América do Sul, não é mais possível viajar para esses locais.

 

A equipe é formada por Salvador Martí (Jaime Blanch) subsecretário e líder do Ministério, que recruta e os agentes Julían Martinez (Rodofo Sancho, Isabel, Mar de Plástico), Alonso de Entrerríos (Nacho Fresneda, Silêncio no Pântano), Pacino (Hugo Silva) e Amélia Folch (Aura Garrído, Hernán). Cada um de um período diferente do tempo e, juntos, agora devem preservá-lo. Também estão presentes outros personagens importantes como Ernesto, braço direito de Salvador, Irene, Angústias, Lola Mendieta (em 3 versões) e Velásquez, sim o pintor! Aqui responsável por fazer retratos falados dos suspeitos, genial!!!

 

A história da Espanha é um celeiro incrível para ideias como essas, pois rendeu personalidades mundialmente reconhecidas como El Cid, Torquemada, Cervantes, Cortés, Franco, Goya, Picasso, Dalí, e claro, Velásquez. Além de muitos reis e passagens importantes. Vão notar também participações de outras não espanholas e de atores agora conhecidos, como Pedro Alonso (Berlin de La Casa de Papel).

 

Mas apesar de ser empolgante, a série comente um pequeno erro, apesar de aceitável e compreensível. Penso que não imaginavam o sucesso fora de seu país de origem e, por esse motivo, se focam totalmente a realidade espanhola, com temas fechados e piadas internas, o que para um espectador não espanhol ou descendente, talvez não consiga se antenar, principalmente em relação ao humor.

 

Falando em humor, nisso El Ministério tem o tom perfeito. Sempre no momento exato, com interpretações ótimas, principalmente da parte de Alonso, um cavaleiro medieval que custa a entender a realidade do século 21 e Pacino, policial fã de Serpico, vindo do início dos anos 80. A dupla funciona muito bem junta e sem dúvida é o ponto mais alto da trama.

A série sabe também dosar no drama, com momentos emocionantes, como no episódio de El Cid, vivido por Sergio Peris-Mencheta (Rambo Até o Fim).

 

São 4 temporadas até agora, sendo as 3 primeiras excelentes, com ícones da história, e não só da Espanha, muito interessantes, que podemos até não conhecer, mas duvido que ao fim de cada episódio, você não corra para internet saber que era aquela personalidade.

 

Os personagens principais são extremamente carismáticos (os atores são excelentes), com tramas bem elaboradas, com várias referências a filmes famosos e atentas aos assuntos e temas atuais. Com efeitos especiais até bem aceitáveis em se tratando de uma série de TV e ainda não estadunidense.

 

Bem, mas o assunto aqui é a 4 temporada, finalizada nesta terça (23/06), e após 2 anos de espera, a volta do Ministério, apesar de nostálgica, poderia ter sido maior, e confesso que esperava mais. A trama foi ruim? Claro que não! Mas não possui o carisma das temporadas anteriores, e ainda mais com episódios mais curtos.

 

Puxada mais para o drama que as temporadas anteriores, contamos com o retorno de Julián, morto no início da 3ª (o ator estava gravando Mar de Plástico), um retorno um tanto inexplicável, mas em se tratando de mexer com o tempo, tudo é possível. Cada episódio trouxe um pouco de ritmo diferente, uns não tão empolgantes e outros excelentes com o focado em Salvador Martí, em seu encontro com o criador do escafandro.

 

Aura Garrido faz apenas uma ponta como Amélia, com indícios de que não voltará mais. E inclusive já arrumaram outra para seu posto.

 

Pacino e Salvador roubam a cena na maioria dos 8 episódios e creio que a ambientação de Alonso ao século 21 tirou um pouco do brilho personagem, mesmo Fresneda estando muito bem no papel novamente. O personagem de Velásquez também pouco aparece, o que é uma pena.

 

A temporada acaba com a impressão de ser o fim definitivo para a série, encerrando muito bem a jornada, caso não tenhamos outra. Mas torço muito para que continue.

 

Aparentemente corrida e menos inspirada, com exceção de alguns episódios, temos uma temporada feita para alegrar aos fãs, chamados carinhosamente de “Ministéricos” e talvez para encerrar bem uma ideia excelente.

 

El Ministério del Tiempo ganhou uma proporção muito maior que seus criadores esperavam, ganhando uma legião de fãs, rendendo HQs e até um game para Playstation VR.

 

Se você ainda não viu e gosta de história, é um prato feito. Confesso que aprendi muito neste sentido.

 

Agora é torcer para que tenhamos uma nova temporada e continuarmos essa rica história. Apesar de achar difícil, após seu encerramento. Mas…já diria Salvador, “El tiempo és lo que és”.

 

Nas 3 primeiras temporadas a série constava no catálogo NETFLIX e agora foi adquirida pela HBO (que passará em breve). Como saíram da empresa de streaming, agora podemos assistir todos os episódios pelo site oficial da TVE (Televisíon Española).

 

 

El Mistério del Tiempo

ANO:2015-2020 / PAÍS:ESPANHA
DIREÇÃO: Marc Virgil / ROTEIRO: Pablo e Javier Olivares
ELENCO: Rodolfo Sancho, Nacho Fresneda, Aura Garrido, Hugo Silva, Jaime Blanch, Cayetana Guillén Cuervo, Juan Gea
NOTAS: Temporadas 1 a 3 – 9/10 / 4ª Temporada – 7.5/10

 

Trailers:

 

 

Análise: El Ministério del Tiempo

Fábio Silvestrini
Sobre o autor
- Italo-hispânico com personalidade mais puxada para a segunda, Silvestre é formado em propaganda e marketing, mas viveu boa parte de sua vida curtindo games em terceira pessoa, futebol e estrelados por personagens famosos dos cinemas e dos HQs. Dos quadrinhos, aliás, nasceu outra de suas paixões, o desenho. Logo, não se espante caso algum review do cara venha acompanhado por alguma ilustra bacana.