Análise: Katana Zero

26/06/2019 17:56
   

A análise faz parte do projeto e parceria Kapoow! & Game Lab ESPM

 

Depois de já provar sua maestria dos jogos neo-noir e cyberpunk carregados de neon e violência com os títulos Hotline Miami 1 e 2, The Red Strings Club e Ruiner, a Devolver Digital lançou em 18 de abril o novo título Katana Zero, que conta a história do Samurai Zero, um caçador de recompensas que deve eliminar alvos para uma corporação misteriosa.

Os gráficos, como toda a estética do jogo, apresentam uma qualidade retro com sprites remetentes à era dos jogos de 16 e 32 bits. As cores são fortes e o jogo faz um ótimo trabalho na ambientação, criando a ideia de um mundo “levemente distópico” e de certa forma bem remetente a Blade Runner.

 

 

 

 

A história do jogo é complexa e vai sendo alterada conforme o jogador vai tomando decisões através das interações do protagonista com os outros personagens da trama. O plot se passa na cidade de New Mecca numa época não esclarecida, embora pareça se tratar de um futuro não tão distante.

O protagonista Zero, é um Hit-man que trabalha para uma corporação não nomeada, por quem é contatado através de seu psiquiatra, que envia dossiês com as pessoas a serem eliminadas. Zero depende de uma droga chamada Chronos, que lhe deu poderes de premonição muito avançados, ao ponto de ele conseguir prever o que dizer, como agir e até mesmo como escapar da morte. Essa droga, entretanto, tem que ser consumida diariamente, pois quando Zero não utiliza dela, começa a sofrer alucinações, das quais boa parte da real história do jogo é descoberta.

Quando está atrás de seus alvos, Zero pode fazer a missão do seu jeito, sem qualquer objetivo extra, apenas matando todos em seu caminho, ou da maneira que foi instruído por seus contratantes. Dependendo de como executar as missões, os contratantes podem ficar satisfeitos ou irritados com o seu trabalho, o que pode repercutir no desfecho do plot.

 

 

Dossiê de alvo de Zero com o alvo a ser eliminado e o objetivo dos contratantes

 

 

A história do jogo é um muito interessante e, portanto, é melhor quando apreciada de maneira “cega”. Porém vale ressaltar que o jogo tem 2 finais principais, além de um secreto.

Por mais que a história do jogo seja cativante, o que realmente se sobressai é o gameplay, que apesar de possuir comandos simples, é altamente fluido e dinâmico, em que para prosseguir de salas, é necessário antes acabar com todos os inimigos na mesma. Zero faz isso através do uso de sua Katana, armas do cenário e de seus poderes de Chronos, que permitem-no desacelerar o tempo. A dificuldade do jogo não pode ser alterada, porém o jogo predominantemente não é difícil, entretanto, como o objetivo de matar todos os inimigos da sala, a dificuldade é remetente a Hotline Miami, onde é esperado que o jogador morra muitas vezes até conseguir aprender o movimento dos inimigos e cumprir as salas, que são cheias de inimigos, porém quando isso ocorre, um satisfatório vídeo de Zero atravessando a sala sem

hesitar é passado para os jogadores através da visão de câmeras de segurança. Ainda falando sobre a morte do personagem, a história do jogo se aproveita bastante dessa mecânica para desenvolver o plot, as vezes mudando alguma coisa entre uma vida e outra, o que tornam o gameplay imprevisível e fazem com que o jogador esteja sempre alerta.

O jogo conta ainda com raras possibilidades de uma jogabilidade mais sorrateira, em que há a opção do jogador completar a missão de maneira “Stealth”, porém por mais interessantes que sejam, são quase inexistentes em comparação às partes mais frenéticas.

 

 

Zero pode passar por algumas missões sem matar ninguém, para isso ele não pode ser visto durante a missão

 

 

O jogo conta com alguns pequenos problemas, como o fato de que apresenta customização quase nula; curva de aprendizado meio alta em algumas missões, principalmente nas que podem ser feitas de modo “stealth” e o gameplay pode ser enjoativo, embora é provável que nem tenha a oportunidade de ser, pois o maior problema do jogo é o quão curto é, podendo ser terminado em pouco mais de duas horas para a campanha, tempo que não aumenta muito pois o jogo oferece poucos incentivos para ser jogado mais de uma vez.

 

 

Zero contra um dos bosses do jogo

 

 

Katana Zero é um jogo simples com uma história complexa por trás, como já se tornou marca registrada das obras da Devolver Digital. É rápido, dinâmico e divertido, além de envolvente. O jogo deixa uma vontade de “quero mais”, tanto por sua qualidade quanto por sua duração e, por mais que não seja uma reinvenção do gênero de aventura de plataforma, é uma de suas obras mais competentes e bem construídas.

 

 

Katana Zero
Lançamento: 18/04/2019
Desenvolvedora: Devolver Digital
Teste em: Nintendo Switch
Nota: 9/10

 

 

Sobre o Autor: Gabriel Góes Campanha é aluno do 5º semestre de Publicidade e Propaganda na ESPM. Entusiasta de jogos de videogame e tecnologia. Trabalha no ramo de de Marketing de produtos de luxo.

 

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