Análise: La Casa de Papel – 3° temporada

25/07/2019 08:33
   

Senhoras e senhores, permitam-me começar dizendo que eu também era e continuo a ser contra a continuidade de La Casa de Papel. E não só pelo fim confuso desta temporada recém lançada. Você tem todo direito de discordar, fique a vontade para comentar logo abaixo e iniciamos um bom debate de ideias.

 

Para mim, se a lógica era desafiar o sistema, os produtores renderam-se a ele e continuaram o texto mesmo após o ponto final. Capitalismo selvagem!
Parece mesmo realidade a chamada da trama: “eles não tinham a intenção de voltar. Mas agora é preciso reagir”.

 

Iniciado com o desabafo, vamos à analise positiva. A série continua em um ritmo alucinante, por momentos até perdemos o fôlego com o remake do pós roubo que balançou o mundo. Os mesmos personagens, aquela mesma pegada que nem parece que saíram de um hiato. Quando a história parece previsível, algo muda tudo.

 

Rio e Tokio comentem um erro e ele é preso em uma ilha paradisíaca no Caribe. O esquadrão tem de retornar a ativa, agora por vingança, roubando 90 toneladas de ouro do Banco da Espanha, pois roubar é o que sabem fazer. Mas vão desafiar o sistema, são as pessoas que tomam uma posição. Isso com membro é uma declaração de guerra. “Somos a resistência!”

 

De quem é este plano e reaparece nas memórias? O grande Berlim, figuraça! Acho que se arrependeram de tê-lo matado anteriormente e o cara volta a ser o centro da trama, mesmo com a continuação do excelente Professor.

 

Para começar, fazem chover 140 milhões de Euros sobre Madrid. Caos, desordem, povo apoiando… Quem é mesmo o bandido?
Novos personagens aparecem, meio forçados: Palermo, Bogotá e Marselha. O primeiro é admirador velado de Berlim e que assume o papel de líder do grupo interno; já o segundo é apresentado como o melhor soldador do mundo e ajuda na tarefa de arrombar o cofre. O último é uma incógnita não resolvida nos 8 capítulos, um excêntrico vegetariano que faz o serviço externo como o nó nas antenas de comunicação e olheiro dos passos policiais no entorno. Ambos não tem o mesmo carisma dos atores centrais da trama anterior, me desculpem.

 

Acrescentam e roubam a cena os Inspetores Alicia Sierra e Tamayo. Outros são mistérios dos próximos capítulos: os pequenos Cincinnati e Axel, junto com a pouco citada Tatiana, ex amante de Berlim.

 

Algumas cenas sem sentido algum:
– Conseguem entrar no banco superprotegido num golpe bobo que lembra a fórmula anterior. Previsível.
– Rio é devolvido ao banco e eles não fazem nem ao menos uma revista? Poderiam ter recebido um Cavalo de Troia?
– Arturito se joga para dentro da porta durante a entrega dos reféns. Mesmo o amor por Mónica, agora Estocolmo, seria tão insano assim?
– Raquel Murillo, agora Lisboa, só aparece mesmo para atrapalhar El Profe?
– Um simples urso é capaz de deixar Nairobi a ponto de arruinar todos os planos?

 

A narrativa termina sem respostas, só dúvidas de como continuará e se terá um fim digno ao que criou. O sistema resiste e te obriga a continuar viciado, buscando com ânsia o lançamento da outra parte.

 

“Então a guerra começou”. Somos todos Dalí! Somos todos Kapoow!
Concorda? Não? Escreve aí!

Wagner Botelho
Sobre o autor
- é formado em filosofia (sim, isso mesmo! rs), divide sua paixão entre as séries, filmes, games e família. Estudioso sobre as religiões e as juventudes, gosta de conversar, interpretar e (re)significar a religiosidade em suas diferentes manifestações, linguagens e paisagens presentes nas culturas e nas sociedades.