Análise: Manifold Garden

Explore uma arquitetura impossível, reimagine as leis da física e quebra-cabeça com conceitos de geometria em Manifold Garden, um belo jogo para quem gosta de puzzle e não tem sintomas de labirintite! Nós testamos a versão para PS4 e contamos abaixo mais detalhes sobre o que achamos desse game que foi selecionado como um dos melhores jogos de 2019 pela revista The New Yorker. Disponível também para PC, Mac, Linux e iOS, Manifold Garden foi projetado pelo escultor William Chyr e é um grande desafio em primeira pessoa que gira em torno da gravidade, ambientado em um “jardim” cromático e super iluminado.

Logo de cara me deparei com um cenário visualmente impressionante, mas a geometria que se repete infinitamente em todas as direções e as ações de alterar a direção da gravidade, que também envolvem andar sobre a água e plantar árvores de blocos, acaba meio que causando uma zonzeira nada divertida. Se cair, você volta para onde começou lembrando um pouco as maluquices de outros jogos que reinventam as regras dos espaços, como Antichamber e Portal.

Os cenários intrincado e impossíveis de existir em nossa realidade se parecem muito com as obras do artista holandês Escher, conhecido pelo ilusionismo lúdico e pelo uso frequente da geometria complicada. Curiosamente, Manifold Garden foi exposto por seu criador em galerias de arte tradicionais depois dele se sentir atraído pela possibilidade de controlar mais de perto a maneira como o espectador interage com suas outras criações além do videogame.

A série de enigmas espaciais e o estilo de arte de Chyr são atributos realmente fascinantes, mas confesso que senti muito desconforto em alguns momentos diante de tantas reviravoltas de imagens em 3D, sem qualquer personagem ou característica mais humana. Deslizar por superfície coloridas, encontrar tem interruptores ou blocos de cada cor para poder escalar paredes e seguir em frente é interessante na primeira hora de confinamento virtual. Depois disso, me senti o próprio Pac-Man percorrendo um labirinto vazio e apertando gatilhos! Ao menos se houvessem fantasmas pra ter que fugir seria mais interessante!

Os espaços no Manifold Garden são assustadores enormes, sem fundo e os horizontes se distanciam para sempre. Aí você começa a pensar “esse corredor é muito longo, não vou terminar isso nunca”. Aí você percebe que as salas de passagem, corredores e quartos vagos se repetem em um loop não tem nada a ver com nada e fazem uma grande bagunçar a sua cabeça. O jogo demora um pouco para te ensinar as coisas que você precisa saber para se orientar melhor. Para prosseguir, você deve entender onde já está tanto quanto para onde deseja ir, trabalhando numa geometria fantástica, dobrando todas as coisas, exceto a lógica básica: Superfície azul, interruptor azul, agora chão é o teto e você está pronto para seguir novamente! Opa, agora o corredor é vermelho. Repita!

Sempre há um lugar para ir, algum lugar para chegar, um caminho que o leva para frente, mesmo que para frente possa parecer de cabeça para baixo, de dentro para fora, de costas nas catedrais se erguem do vazio cor de pêssego ou nos quadrantes com superfícies coloridas cada vez mais complexos. Se essa mudança alucinante e constante de perspectiva de Manifold Garden te provocar alguma sensação de vertigem, enjoo devido ao movimento, desconforto ou dor nos olhos pare de utilizar o sistema imediatamente e leia atentamente essas recomendações da PlayStation para sua saúde. Senti que faltou só uns flashes de luz para provocar ataques epiléticos ou desmaios nos jogadores! Se você tiver tripofobia, considere a metade do valor dessa avaliação! Nota: 6/10

 

 

Siga o Kapoow no Instagram e saiba das novidades!

Análise: Manifold Garden

Guilherme Ávila
Sobre o autor
- Jornalista especializado em Games e Cultura Pop. Levando as notícias de entretenimento bem à sério, já escreveu bastante sobre curiosidades de Tecnologia, eSports, Filmes, Séries, Quadrinhos, Música, Jogos Indie e Offline, como Role-Playing (RPG), Cards e Boardgames. Passou pelos portais iG, Uai, Ragga e O Tempo apresentando matérias e podcasts com esses temas. Siga ele no Twitter @guilhermeavila