Análise: Narcos México

14/01/2019 16:04
   

Fãs de séries, assim como eu (e talvez você), não podem ver divulgações de lançamentos que já querem atualizar suas histórias.

Comigo não foi diferente ao ver o titulo Narcos: México, lançado em novembro pelo Netflix.

Não gosto de ler críticas e resenhas antes de assistir um filme ou seriado.

Não é trauma de spoiler, pois numa roda de conversas até gosto de uma troca de ideias e leituras sobre uma obra, mas fato é que alguns sites são carregados de propagandas e isso as vezes contamina o caminho do raciocínio e nos vicia a uma leitura só em um foco. Não é o caso do Kapoow!

Bem, vamos a esta nova temporada de Narcos… só que já de início percebemos que esta é uma história a parte. Nem entra no mesmo título da narração aclamada de Pablo Escobar, ou a sequência com os Cavaleiros de Cali.

O titulo ganha força e se renova, apesar de aparecerem ligações sensacionais com as tramas anteriores (não é spoiler, mas a sacada foi top!). Os capítulos narram a construção, tijolo a tijolo, de um novo cartel, nascido no México. 

Miguel Angel Felix Gallardo (Diego Luna, de Star Wars Rogue One), um simples interiorano usa a inteligência para enxergar uma oportunidade no mercado da maconha, e aos poucos une os principais criminosos, fundando o que chamaram de sindicato. Uma organização complexa e organizada do trafico de drogas, aproximando poderosos produtores, transportadores, forças armadas e políticos na ramificação das operações.

Em paralelo, mantendo o padrão dos diretores da franquia, aparece a figura de um policial da DEA, Kiki Camarena (Michael Peña, o Luis, de Homem Formiga) – sempre aquele estilo Capitão América de querer salvar o mundo, em especial outros países. Obrigado a se mudar para o México, ao lado da família, trabalha na luta contra as drogas, mas se recusa a seguir o conformismo local. Uma ponta de critica à preguiça latina, especialmente mexicana.

Duas vidas paralelas contadas com seus altos e baixos. Por vezes até parecem duas faces da mesma moeda, cercados de coadjuvantes que roubam a cena, como Neto (Joaquín Cosio), carismático, divertido e explosivo; e fortes personagens femininas, como a estratégica Isabella (Teresa Ruiz) e Mika (Alyssa Diaz), indo muito além de uma esposa fiel e companheira.Vale muito a pena assistir esta sequência!!!

Aí Netflix, Narcos Brasil seria épico, eim? Se bem que nossa história aqui tem tantas pontas que não caberia numa série só….

Produção: Netflix

Ano de lançamento: Nov/2018 

Nota do Autor: 8

Analista: Wagner Botelho


Wagner Botelho
Sobre o autor
- é formado em filosofia (sim, isso mesmo! rs), divide sua paixão entre as séries, filmes, games e família. Estudioso sobre as religiões e as juventudes, gosta de conversar, interpretar e (re)significar a religiosidade em suas diferentes manifestações, linguagens e paisagens presentes nas culturas e nas sociedades.