Análise: O Irlandês

Elenco top + roteiro cansado = nenhum Oscar

 

Unir Al Pacino, Robert De Niro e Joe Pesci em um filme só? Ao estilo Touro Indomável, este era para ser mais um lendário filme de crime, produzido e dirigido por Martin Scorsese.

 

Baseado no livro de memórias do investigador e advogado Charles Brandt, “I Heard You Paint Houses” de 2004, no qual relata o caso de Frank “O Irlandês” Sheeran, um sindicalista com ligações com o crime organizado que, pouco antes de falecer em 2003, confessou ter assassinado o líder sindical Jimmy Hoffa, desaparecido em 1975. Era um dos homens mais conhecidos do país, liderando mais de um milhão de caminhoneiros, oposição declarada do Presidente Kennedy.

 

Frank se envolve com a máfia da Filadélfia, bem ao estilo gangster. Descobre os prós e contras do poder e friamente tem que assassinar o que antes eram seus supostos amigos.

 

Os remakes mostram um excelente trabalho de rejuvenescimento e envelhecimento dos personagens. Rostos perfeitos, computação gráfica tinindo, tubos de dinheiro da Netflix, a atuação dos medalhões é um clássico. Contudo, o “andar idoso” dos atores revela uma falha, não tinham como mudar isso. Mesmo os ídolos envelhecem, o tempo é cruel.

 

Só que… O filme é cansativo demaaaaaais. Já ouvi várias pessoas que, assim como eu, não conseguiram assistir tudo em um dia. Eu parcelei em 3 dias sem juros.

 

3h30 de diálogos arrastados, cenas de ação até bem feitas, mas que parecem pontos isolados no meio de tanta falação.
Fico a pensar se nossa geração aprovaria os clássicos semelhantes como a Trilogia Poderoso Chefão. Acho que não aguentariam uma sessão de cinema com os Corleones, infelizmente. Talvez dentro da plataforma de streaming os telespectadores parcelariam a sessão. Os tempos são outros, carecem de mais ação ou menos falação.

 

Na minha avaliação faltou dosar melhor as duas colheres neste filme. Talvez o futuro diga que erramos a mão. Tomara.

 

O filme, até por grandes atuações de seus atores (Pacino e Pesci estão incríveis), chamou a atenção e foi nomeado a 10 estatuetas, mas acabou ficando sem nenhuma.

 

Scorsese é um gênio, mas precisa descer de seu patamar de arrogância e rever seus conceitos. Ficar criticando filmes de heróis é andar para trás ao invés de se reinventar.

 

O Irlandês

Lançamento: 2019

Emissora: Netflix

Direção: Martin Scorsese

Elenco: Robert De Niro, Al Pacino, Joe Pesci, Anna Paquin, Harvey Keitel, Bobby Canavale

Nota: 7/10

 

 

 

Análise: O Irlandês

Wagner Botelho
Sobre o autor
- é formado em filosofia (sim, isso mesmo! rs), divide sua paixão entre as séries, filmes, games e família. Estudioso sobre as religiões e as juventudes, gosta de conversar, interpretar e (re)significar a religiosidade em suas diferentes manifestações, linguagens e paisagens presentes nas culturas e nas sociedades.