Análise: Project Cars 3

A franquia nasceu tenta desde seu início ser um simulador de carros. Uma utopia que tentar concorrer com os grandes do gênero como Forza, Gran Turismo, Assetto Corsa, por exemplo,  ele chamou a atenção dos amantes do gênero e aos poucos foi conquistando seu espaço. Desta vez a franquia apostou em um segmento um pouco diferente de seu gene, vem com uma pegada mais arcade a franquia. Estaria a Slightly Mad Studios sendo ingrata por deixar de lado um conceito que a consagrou?

 

Agora, esta terceira franquia veio com a proposta mais acessível e acolhedora optando por um segmento arcade em troca do seletivo e complexo segmento de simulador.

 

Foi uma decisão certamente muito complicada, porém será um divisor de águas para os fãs onde os mesmos podem ver esta postura como uma ingratidão da série com os mesmos que depositaram um grande apoio quando a franquia tentava conquistar seu lugar como simulador. Filtros coloridos, tuning, corridas abertas, progressão facilitada e corridas rápidas são as marcas deste novo Project Cars 3. Deste modo, estes conceitos bastantes conhecidos dos arcades fizeram o título se distanciar do simulador e se aproximar dos arcades, mas afinal, conseguiu?

 

 

A decisão de mudar a proposta do game poderia inovar ou condenar a série. Neste quesito Project Cars 3 não se decide em qual segmento quer ser. Sua abordagem voltada para o arcade nos deu a entender que esta seria a nova aposta da série, porém o título não se desvincula do simulador que sempre foi. Assim, essa crise de identidade é a grande protagonista do game, pois não sabemos com o que estamos experimentando. As corridas, toda a estrutura de progressão são de um arcade, mas ao mesmo tempo o estilo de simulador continua ali perceptível.

 

Embora com esta indecisão conceitual, uma coisa é certa: a escolha de levar a franquia para uma experiência arcade fez de Project Cars 3 um produto sem identidade digamos que se perde a cada curva, principalmente na busca de ser um arcade e continuar sendo um simulador. Na verdade, Project Cars 3 não é nem um e nem outro. O que experimentamos é uma mescla do que vimos na franquia Forza Horizon com a série GRID. Essa dualidade incomoda, pois não sabemos o que o game quer nos propor do início ao fim. Contudo, trazer aspectos arcades, de fato, tirou toda a magia de um simulador que a série foi um dia.

 

Uma experiência menos desafiadora

Se a intenção era se desvincular das corridas fechadas e de todo o senso desafiador e sério do simulador, era preciso ser mais acessível. Project Cars 3 oferece 5 tipos de dificuldade, embora a dificuldade personalizada dê mais liberdade ao jogador de escolher como quer jogar. Eu joguei na dificuldade Experiente (HARD digamos) e minha experiência não se equipara a que vivenciei nos títulos anteriores.

 

Primordialmente começando pela a IA que ainda não recebeu o devido detalhe. Project Cars 2 foi ótimo, mas sua falha se manteve em uma IA nada convincente. Já neste título, os veículos são facilmente alcançados e possuem regalias. Sim, regalias. Uma das minhas maiores frustrações em Project Cars 3 é que ele te obriga como todo simulador a ser perito na curvas te fazendo ter um equilíbrio entre frear e acelerar na curva e um autocontrole em pistas molhadas. No entanto, na IA dos adversário onde os veículos não freiam em curvas e/ou não deslizam em pistas com chuva.

 

 

Outro detalhe é quando sofremos penalidades por sairmos da pista, como punição nosso veículo fica invisível e perde velocidade, assim, os carros que estão atrás passam por dentro do nosso veículo e isso é de uma falta de realismo tamanha. Assim tirando toda a credibilidade de um produto realístico e de uma imersão em uma experiência automobilística. Quanto ao road map de nossa progressão dentro game, temos as conhecidas categorias e seus respectivos eventos lotados por corridas. Estas categorias podem ser alcançadas concluindo os eventos ou comprando o acesso à essas categorias seguintes com o dinheiro que você adquiriu ganhando as corridas. Deste modo, essa facilitação o fará avançar rapidamente no game, mas, também, pode gerar consequências.

 

Multiplayer

Ele segue o mesmo padrão dos outros e da maioria de corrida, salas e encontros para belas disputas, não tive problemas para buscar corridas e muito menos com lag.

 

 

Concluindo

No final, Project Cars 3 tenta algo novo e acaba não mostrando para o que veio, se há uma palavra que melhor resume minha experiência em Project Cars 3, essa palavra seria: indecisão. Toda a minha jogatina dentro do game nas corridas, na estrutura de progressão não me convenceu.

 

Embora em meio a esta crise de identidade constante, a magia gráfica da franquia permanece com um visual incrível. Seja no visual dos veículos, seja nas inúmeras pistas disponibilizadas em diversos locais pelo o mundo. De fato, esse detalhe é único, porém não esconde o grande erro da Publisher em mudar o feeling da série e acabar não se encontrando.

 

Em suma, Project Cars 3 tenta inovar buscando novos ares mas se perde ao tentar ser um arcade, se perdendo no que quer ser. Assim, temos um produto que tenta ser um arcade, mas não consegue. Mas, também, um produto que não se desvincula do simulador que é , mas que não tem a mesma experiência dos títulos anteriores. De fato, esta mudança irá trazer grandes consequências a franquia e um descontentamento para os fãs que esperavam uma experiência constante e mais refinada da série.

 

 

 

 

 

 

Project Cars 3

Data de Lançamento: 25/08/2020
Nota: 7,5
Estúdio: Bandai Namco Entertainment, BANDAI NAMCO Entertainment America
Desenvolvedor:  Slightly Mad Studios

Plataformas: Playstation 4, Xbox One, Windows

 

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Análise: Project Cars 3

Celso Deliberal
Sobre o autor
- Celso é formado em Tecnologia e um amante dos games e computadores. Procura fazer suas análises de forma certeira. Na gaveta!!!