Análise retrô: DEUS EX

A análise retrô faz parte do projeto e parceria Kapoow! & Game Lab ESPM

 

O cyberpunk é um subgênero da ficção científica que já foi amplamente explorado na cultura pop; deu origem, inclusive, a um dos melhores títulos da literatura, “Androides Sonham com Ovelhas Elétricas?”, de Philip K. Dick, que inspirou o cultuado filme Blade Runner. Os mundos cyberpunks são construídos a partir de um contraste interessantíssimo: alta tecnologia e baixa qualidade de vida e seus personagens são geralmente solitários e marginalizados pelo cotidiano distópico.

 

É a partir dessa premissa que se desenvolve Deus Ex, um jogo eletrônico de ação lançado em 2000 para computadores. A história é ambientada em 2052 em um mundo desolado por uma pandemia conhecida como “Gray Death”, cuja vacina “Ambrosia” só está disponível aos indivíduos considerados essenciais para a manutenção da ordem mundial, como aristocratas, líderes poderosos, militares e membros da classe intelectual. Tais circunstâncias levam ao surgimento de grupos terroristas, abertamente comprometidos com a derrocada do mundo. Incorporando JC Denton, um agente dotado de habilidades sobre-humanas provenientes de nanotecnologia, o jogador deve combater as ameaças dessas coalizões terroristas ao planeta.

 

Essa ambientação é um ponto forte do game e permite que o roteiro discuta temas relevantes que refletem ao nosso presente. Além da trama, outros elementos fazem de Deus Ex um jogo muito imersivo, como o uso da câmera em primeira pessoa e as ações disponíveis ao jogador: explorar cenários, interagir com outros personagens não-jogáveis e (principalmente) atirar, bater e lutar com os oponentes.

 

A jogabilidade também valoriza as escolhas do jogador, com objetivos que podem ser alcançados de diferentes maneiras, às vezes valorizando agilidade e/ou os reflexos de quem joga e por vezes exigindo atenção aos diálogos e raciocínio lógico para desvendar quebra-cabeças. O jogador tem liberdade de escolher como vai cumprir esses objetivos que o game lança mão, o que gera uma experiência completamente diferente de um player para o outro. De certa forma, é como se você jogasse para “experimentar” e assim descobrir o que mais te entretém dentro das limitações do game.

 

Inclusive, falando em limitações, os aprimoramentos que o jogador pode fazer em suas armas (rifle, bastão, arma de choque, pé de cabra, pistolas) e habilidades (mira certeira, resistência às balas, performance abaixo d’água, etc.) muitas vezes não agregam tanto quanto se espera à jogabilidade. E aí entramos no ponto mais frágil do jogo.

 

O fato de Deus Ex ter sido lançado em 2000 pode repelir o público mais jovem e/ou que tem pouca familiaridade com jogos digitais de ação (ou jogos no geral, como é o meu caso). Os gráficos são, obviamente, mais rudimentares das maravilhas que o CGI promove hoje em dia; a mecânica para controlar o personagem, mirar e atirar parece truncada de início; e os diálogos soam caricatos e expositivos demais.

 

No entanto, esse é um jogo que deve ser apreciado tendo-se em mente a época em que foi lançado. Isso faz parte do seu charme, por assim dizer. Demora um pouco, mas uma vez que você tenha abstraído esses pontos e abraçado a pegada exploratória e o tom distópico-conspiracionista da história, Deus Ex se torna uma experiência surpreendentemente positiva.

 

 

DEUS EX

Lançamento inicial: 26 de Junho de 2000
Desenvolvedora: Eidos Interactive / Square Enix
Plataformas: PlayStation 2
Nota: 9/10

 

Sobre o Autor:

David Chiodi estuda Publicidade e Propaganda na ESPM. Web designer por formação e escritor por insistência, virou estagiário de marketing. O cinema é a sua primeira casa.

 

 

 

Análise retrô: DEUS EX

Fábio Silvestrini
Sobre o autor
- Italo-hispânico com personalidade mais puxada para a segunda, Silvestre é formado em propaganda e marketing, mas viveu boa parte de sua vida curtindo games em terceira pessoa, futebol e estrelados por personagens famosos dos cinemas e dos HQs. Dos quadrinhos, aliás, nasceu outra de suas paixões, o desenho. Logo, não se espante caso algum review do cara venha acompanhado por alguma ilustra bacana.