Análise: Skelattack

Mais do que um jogo de plataformas  2D desenhadas à mão e completamente sem piedade no quesito dificuldade para seus jogadores, Skelattack é uma curiosa visão otimista e bem-humorada sobre a morte! Nós testamos a versão do game para PlayStation 4 e contamos abaixo mais detalhes sobre o que achamos desse novo título da Konami e da Ukuza. Disponível também para Nintendo Switch, Xbox One e PC.

 

Adiantamos que se você se divertiu jogando com os clássicos esqueletos protagonistas de Grim Fandango (1998) e MediEvil (1998), ou já experimentou os mais recentes com a “mesma energia” dos indies Limbo (2010) e Hollow Knight (2017), vai adorar acompanhar a jornada do guerreirinho cadáver Skully:

 

 

Sem textos em português, somos apresentados ao protagonista (sem memórias de quem ele era quando esta vivo) e seu fiel companheiro Imber, um morcego engraçadinho que fica tirando sarro de você e de tudo que aparece em seu caminho. Ambos vivem no reino de Aftervale, que abriga mortos-vivos, espíritos, criaturas mágicas e outras abominações monstruosas. Skully se prepara para seu ritual de “Remembrance“, para se lembrar de quem ele era e poder finalmente fazer as pazes com sua vida passada, mas sua cidade é invadida por seres vivos enquanto ele enfrenta os desafios da mortal cripta tutorial.

 

Seu também esquelético mentor ancião, que seria responsável por conduzir essa tal cerimônia, acaba sendo raptado. Assim, armado com uma espada pesada e piadas afiadas, como nas melhores cenas de filmes como Monty Python em Busca do Cálice Sagrado (1975) e O Estranho Mundo de Jack (1993), de Tim Burton, a maior parte da ação dessa aventura de resgate envolve saltar, voar usando Imber, atacar, eliminar seus vizinhos humanos e evitar todas as armadilhas ou perigos que aparecem pela frente.

 

O cenário do jogo é muito mais perigoso do que qualquer inimigo! Sua barra de saúde até que aumenta ao longo do game, quando você encontra ou compra caldos de ossos, mas as mortes instantâneas são mais comuns que pular de lá pra cá. Superar obstáculos demanda agilidade e há muitas áreas com objetos em primeiro plano não ajudam, espere de tudo. A movimentação no PS4 não apresentou nenhum bug.

 

 

Felizmente não há nenhum tipo de “Game Over” em Skelattack já que a única coisa que importa na pós-vida desse herói falecido é mesmo terminar o jogo. Skully e Imber sempre reaparecem próximos de uma das várias piras suspensas com chamas azuis (Blue Flames) que estão espalhadas em todos os cantos. Mas, por curiosidade, fique de olho na plaquinha da cidade que mostra um contador de quantas vezes você morreu. Eu mesmo, por exemplo, morri mais de 35 vezes para conseguir escrever esse review!

 

Apesar disso a direção de arte, a animação e o design dos personagens que é primorosa, inspirados nos desenhos animados antigos. O um mundo rico, cheio de detalhes, locais, itens e um elenco de apoio muito carismático. Destaque para casa do protagonista com um caixão, ao invés de uma cama, e pra taverna onde o herói e seus amigos do submundo se reúnem para assistir os shows de uma bandinha no melhor estilo da cantina de Mos Eisley (Star Wars). As masmorras proporcionam uma narrativa visualmente interessante e os desenvolvedores também tiveram um cuidado oferecer um ritmo versátil e fluido.

 

 

Apesar disso soar meio irônico, Skelattack é um jogo que tem muita vida e nada deprimente. Claro que em alguns momento o game chega a ser difícil demais, sendo fácil desistir de tanta raiva, mas, em compensação, existem tantas referências a vários outros jogos também desafiadores, como Castlevania (1986) e Metroid (1986), que vale a pena todo esforço e sofrimento. O trecho em que aparecem jacarés e Skully precisa pular neles enquanto estão com a boca fechada é claramente uma homenagem a Pitfall (1982). Não fique triste se for devorado, levante a cabeça e tente outra vez. Morrer faz parte da diversão!

 

Talvez seja essa grande mensagem desse jogo: uma atitude otimista com relação ao nosso inevitável fim e ao mesmo tempo uma bela maneira de encarar a vida. Afinal, somos todos feitos de pequenas coisas mortas que viveram antes de nós, como os alimentos que ingerimos, o sangue dos nossos antepassados ou até os próprios dinossauros! É muito curioso pensar que esse “respawn” mantém tudo vivo de certa forma. Pelo menos em Skelattack estamos livres para relaxar e amenizar nosso medo existencial nesses tempos de quarentena. Espero que vire uma franquia um pouquinho mais fácil no futuro! Nota: 7/10

 

 

Análise: Skelattack

Guilherme Ávila
Sobre o autor
- Jornalista especializado em Games e Cultura Pop. Levando as notícias de entretenimento bem à sério, já escreveu bastante sobre curiosidades de Tecnologia, eSports, Filmes, Séries, Quadrinhos, Música, Jogos Indie e Offline, como Role-Playing (RPG), Cards e Boardgames. Passou pelos portais iG, Uai, Ragga e O Tempo apresentando matérias e podcasts com esses temas. Siga ele no Twitter @guilhermeavila