Análise: Streets of Rage 4

Streets of Rage 4 é como um estiloso soco na cara dos games de pancadaria anos 90!

 

Chegando com tudo em para os principais atuais consoles do mercado, Streets of Rage 4 é um prato cheio para quem gosta de jogabilidade e games estilo retrô. A nova produção da Dotemu, publisher conhecida por remasterizar e relançar jogos antigos com mais qualidade, oferece uma overdose de nostalgia para os fãs, com várias referências aos títulos antigos da franquia que saiu originalmente para Mega Drive e teve adaptações para Master System e Game Gear. Testamos a versão para PC e contamos abaixo, com exclusividade, o que achamos do game. Prepare-se para ler algumas verdades e criar bolhas nos dedos:

 

 

Esta é a primeira vez que um game da franquia tem textos e menus todos 100% em português. É possível jogar solo, mas também em um cooperativo local, com dois até quatro jogadores, ou online. A movimentação lateral dos personagens na tela, característica mais marcante do popular gênero de games de pancadaria do final dos anos 80 e início dos 90, batizado de beat ’em up, está de volta para podermos explorar todos os perigos que as ruas furiosas de Wood Oak City, que como sempre estão tomadas por gangues inimigas, policiais corruptos, letreiros neon e duvidosos alimentos escondidos em latas de lixo.

 

Antes de mais nada, é importante destacar que Streets of Rage 4 é sobre a experiência mais do que qualquer outra coisa. A evolução do game não faz muito esforço para inovar no seu formato, mas admitimos que é um belo passeio com profundidade na trama da série, entretenimento e inimigos o suficiente para te manterem envolvido em deslizamento quase infinito pelos belos cenários em plataformas 2D. Como não poderia deixar de ser, os controles do game são bem simples e podem ser combinados para combos devastadores de socos, chutes e golpes especiais. A trilha sonora de sintetizadores dos compositores Yuzo Koshiro e Motohiro Kawashima é outro atributo importante para amarrar todo seu clima retrô para alegria dos antigos fãs. E não faltam novos chefões carismáticos!

 

Sequência direta dos títulos anteriores, a nova história trás um veterano, barbudo e atarracado Axel Stone, acompanhado da beleza sempre desconcertante dançarina Blaze Fielding em destaque mais uma vez nos holofotes principais, agora juntos dos novatos Cherry Hunter, guitarrista filha de Adam, e o cibernético Floyd Iraia. Ao longo das 12 fases da história principal também é possível desbloquear Adam Hunter, completando o trio de personagens originais. Cada um traz estilos de luta únicos, como a agilidade de Blaze, uma corridinha de Cherry e o agarrão duplo dos braços metálicos de Floyd.  O jogo oferece inclusive cutscenes deslumbrantes dos visuais de cada um dos protagonistas todos desenhados à mão em um design meio desenho animado, meio gibi americano e, porque não, também meio mangá.

 

 

O bom e velho estilo de pixel art está disponível também! Como nos hoje arcaicos cartuchos de Mega Drive, as clássicas versões pixeladas dos heróis podem ser misturadas aos novos gráficos do jogo nas versões para PS4, Xbox One e Xbox Game Pass, Nintendo Switch e PC via Steam. Lançado em 1991, o primeiro Streets of Rage, da Sega, foi duramente criticado por parecer apenas mais um clone de Final Fight, da Capcom. No entanto, ele e Streets of Rage 2 (1992) rapidamente encontraram seu próprio ritmo e caíram no gosto do público com sua ação frenética até então pouco comum nos jogos arcade da época.

 

Mais de 25 anos se passaram desde que Streets of Rage 3 (1994) foi lançado e realmente parecia que a série já tinha acabado. Então, três anos atrás, com essa onda de remakes ressurgiram no Twitter algumas imagens conceituais de Streets of Rage 4 que nunca foram concluídas. A nostalgia, claro, acertou em cheio a cara dos gamers mais experientes, como todo o time de colaboradores aqui no KAPOOW. Está claro que o game foi feito especialmente como uma homenagem para toda a geração dos videogames 16-bits.

 

Apesar de ter tudo para agradar antigos fãs, o Modo História, que obrigatoriamente precisa ser completo para desbloquear dos outros, nos pareceu curto e um pouco datado demais para os novos jogadores já acostumados com games de ação-aventura do gênero battle royale . Em compensação, as possibilidades via Seleção de Fases é ideal para players que buscam só replay dos melhores momentos sem muita enrolação. O novo Modo de Batalha, apesar de ser uma adição interessante, realmente falha em não te deixar jogarmos contra o computador ou ter uma mini-campanha. Fica registrado aqui nossa sugestão!

 

Streets of Rage 4 possui muitos extras para serem desbloqueados e que, se você tiver paciência, farão querer zerá-lo por inúmeras vezes. Agradecimentos especiais deste review para Agência Masamune, juntamente para as co-desenvolvedoras Lizardcube e Guard Crush. Nota: 8/10

 

Análise: Streets of Rage 4

Guilherme Ávila
Sobre o autor
- Jornalista especializado em Games e Cultura Pop. Levando as notícias de entretenimento bem à sério, já escreveu bastante sobre curiosidades de Tecnologia, eSports, Filmes, Séries, Quadrinhos, Música, Jogos Indie e Offline, como Role-Playing (RPG), Cards e Boardgames. Passou pelos portais iG, Uai, Ragga e O Tempo apresentando matérias e podcasts com esses temas. Siga ele no Twitter @guilhermeavila