Análise(com spoilers): Mulher-Maravilha 1984

Após vários adiamentos por conta da pandemia, um dos filmes mais esperados do ano finamente chega aos cinemas. Mulher-Maravilha 1984 é a continuação da diretora Patty Jenkins da Heroína de Themyscira .

MM84 é situado em 1984. Os anos 80 foram uma época muito colorida, exagerada e marcada por muitos excessos. E o filme consegue trazer o clima dos 80, seja nas roupas nos locais ou na atitude das pessoas.

O filme não é perfeito. Mas é muito bom. É diferente do primeiro (nem melhor nem pior). Aliás, é diferente da maioria dos filmes de heróis que vimos nos últimos anos . Aqui a formula, herói versus vilão principal com poderes semelhantes ao herói mais porrada, porrada, porrada não foi aplicada.

É um roteiro mais cerebral, com muitas surpresas boas e algumas nem tanto, mas que emociona em momentos e se apoia bastante na nostalgia, não só do anos 80, mas principalmente em filmes como Superman de Christopher Reeve e O Céu Pode esperar de Warren Beatty( ambos de 78).

 

O que Funcionou?

 

Gal Gadot e Patty Jenkins: A dupla consegui aflorar uma Mulher-Maravilha perfeitamente construída. Gadot nunca esteve tão bem, trazendo muita emoção nas cenas difíceis em um roteiro interessante e que conseguiu tirar a previsibilidade.

Cenas de ação: Mulher Maravilha se tornou um personagem único, não importa com qual universo você compare. Claramente vem melhorando o uso dos poderes e mostra que ainda não atingiu potencial máximo.

Maxwell Lord: Pedro Pascoal brilhou com sua performance exagerada. Ao roubar a Pedra dos Desejos do Smithsonian que estava em posse de Barbara Minerva/Mulher Leopardo, começa a perceber o preço que seu corpo estava pagando por satisfazer o desejo dos outros, então entende que somente o poder absoluto vai solucionar seus problemas. 

O Adeus de Steve Trevor: O sempre excelente Chris Pine, que morreu na explosão de avião no primeiro filme reapareceu como consequência do desejo que Diana fez quando estava em posse da Pedra dos desejos. Como aparentemente nem mágica revive alguém fisicamente, Trevor apareceu em “espirito” e temporariamente assumiu o corpo de outra pessoa. Algo parecido como aconteceu em O Céu Pode Esperar de Warren Beatty. Funcionou por um tempo porém Diana não poderia derrotar Lord se ela mesma não abrisse mão do desejo dela . Seja por necessidade ou hipocrisia, ela sabia que teria que dar adeus. E foi a melhor cena do filme.

O voo de Diana: Eu não sei ao certo se aquilo é um absoluto voo ou se é mais ou menos ela planando no impulso mas toda a sequencia é linda e poderosa e propositalmente construída com efeitos especiais mais clássicos. Inclusive lembra em muito o voo de Christopher Reeve em Superman.

O grande vilão do filme: O grande vilão do filme na verdade foram os sentimentos ruins do ser Humano. Ganancia e egoísmo conduziram os problemas não só de Maxwell e Barbara , mas sim de toda a população e somente após o discurso de amor, responsabilidade e aceitação pessoal de Diana fez com que as pessoas abrissem mão dos seus desejos.

 

O que não Funcionou?

 

Bárbara Minerva/Mulher Leopardo: A única razão pela qual ela está aqui é que vimos pouco dela. Kristen Wiig é uma atriz excelente e mostrou uma Minerva muita interessante em suas duas primeiras fases. Mas na hora de ver a Mulher leopardo em toda sua glória , tivemos uma luta rápida e a noite. Ficou aquele gosto de quero mais.

Armadura Dourada: Ela é basicamente uma artefato de defesa. A guerreira Asteria a usou pra conter os humanos enquanto as amazonas fugiam pra Themyscira. A mulher leopardo destruiu as asas em segundos no entanto. Muito bonita, parecendo um quadro de Alex Ross, mas com pouca utilidade.

DCEU: Nenhuma menção retroativa sobre o universo. Nenhum easter egg além de um breve paralelo do uso dos satelites por Lord com o Brother eye , supercomputador criado por Batman que se virou contra a humanidade.

 

Algumas surpresas:

  • Na cena pós credito vemos que Asteria na verdade é Lynda Carter, ( a Mulher maravilha original da série dos anos 70)
  • A “batalha” final entre a Mulher-Maravilha e Maxwell Lord ocorreu sem nenhum soco. Apenas baseado na carga emocional da conversa entre os dois.
  • As Olimpíadas das amazonas de Themyscira foram de tirar o folego. Da pra assistir um filme inteiro só com elas
  • Heróis, vilões, capangas, ninguém morreu no filme. Mesmo quando Diana roubou o volante do Caminhão, ela avisou que o freio ainda funcionava.
  • A escolha de como deixar o jato invisível está de acordo com os poderes de seu pai, Zeus. É o mesmo poder que esconde a ilha por tantos anos.
  • Na cena final enquanto Diana conversa com o rapaz que Steve Trevor habitava, ao fundo da pra ver o marido e os filhos de Gal Gadot na vida real.
  • Alguém reparou na foto de Diana com Etta Candy já com idade avançada indicando que ela foi para os Estados Unidos com Diana?

Esta aí. Em termos comparativos e se vc dividir os dois filmes em 3 atos, o primeiro ato de Mulher-Maravilha é melhor que o de MM84, os segundos atos empatam em qualidade e o 3º ato de MM84 é bem superior ao do primeiro filme. Em geral são filmes equilibrados com uma leve vantagem pro primeiro por abrir as portas do cinema as heroínas dos quadrinhos na tela grande. Talvez a falta de mais cenas de ação seja um problema para alguns mas o filme diverte e Gal Gadot é a Mulher-Maravilha perfeita.

Mulher-Maravilha 1984

ANO:2020

Direção: Patty Jenkins

PAÍS:EUA

ELENCO: Gal Gadot, Chris Pine. Kristen Wiig, Pedro Pascal, Robin Wright, Connie Nielsen.

Nota: 8.1

 

 

 

 

 

 

Análise(com spoilers): Mulher-Maravilha 1984

Daniel Salles
Sobre o autor
- Cinéfilo, louco por séries, games, HQ e mundo Nerd em geral. Daniel "Baluarte", também é professor de futsal e amante de esportes, onde dedicou a maior parte de sua carreira. https://twitter.com/Kapoow___