Vikings, o fim de um legado. Análise da 6ª temporada

Chega ao fim um legado em filmes e séries sobre a história. Não é desvalorizar as produções anteriores, algumas também foram marcos, mas Vikings tratou os detalhes históricos, cenográficos e culturais de uma outra forma. Saiu da pequena vila de Kattegat, chegou até a Inglaterra, França, Rússia, Islândia, Groelândia e América do Norte, tudo unificar a Noruega em torno de um mesmo ideal. Ousou descrever com detalhes a história através de outros olhos, daqueles a quem foram classificados como bárbaros, pagãos. Genial!

 

São tantos detalhes que fica difícil escrever este texto final, sabe?

Nesta última parte da 6ª temporada somos presenteados com 10 episódios que deveriam dar um ponto final às conquistas Vikings, mas ainda ficaram muito pontos soltos ou foram fechados de maneira superficial, infelizmente. Relembramos que na última parte Bjorn (Alexander Ludwig) é ferido gravemente por seu irmão Ivar (Alex Hogh Andersen) durante a invasão Russa à Escandinávia.

Se não quer spoilers, não continue a leitura! rs

Bjorn volta a Kategatt e prepara o seu povo para a sua batalha final. Este foi o ponto alto desta temporada, um final digno para Iron Side, um personagem que em muitos aspectos foi maior que Ragnar, como o vidente havia dito. Com o máximo respeito ao “Calças peludas”, que foi quem deu vida e fama à série, tendo sua morte muito sentida até o final, mas Bjorn conseguiu concretizar o legado de seu pai: uniu reis, condes, earls e se tornou o verdadeiro Rei da Noruega! “Seu nome vale por 100 guerreiros. Não, por 1000 guerreiros! Por favor não nos deixe!”, pediu sua esposa Gunnhild.

Ele não lutou, mas só de ver sua presença em cima de um cavalo, Ivar e o exército Russo titubeiam. Era como um fantasma, um deus no meio do povo, que mesmo após receber diversas flechadas ainda ergue sua espada e motiva seu povo a defender suas terras, sua história. Foi o ápice.

Só que este foi o 11º episódio, ainda viriam outros 9! Foi aí que a história começou a mornar, assim como aconteceu após a morte de Ragnar.

 

Como amarrar as tramas nos núcleos?

 

No núcleo russo, após a derrota na Escandinávia, o Príncipe Oleg retorna com Ivar e Hvitserk para Kiev. Sem o tirano saber, há o plano de um golpe tramado por seu sobrinho, o jovem Igor, e os nórdicos. Plano executado com sucesso, o inteligente Sem Ossos deixa sua fama nas terras do Oriente, inclusive um suposto filho junto com Katia, esposa de Oleg e semelhança de sua eterna amante, Freydis.

Os filhos de Ragnar voltam à Kattegat, onde são recebidos como traidores pelo povo, mas não pelo ganancioso Rei Harald. Como Vikings não se acomodam, planejam retornar à Inglaterra para uma última conquista. Do lado Anglo-Saxão também há o esgotamento pelas diversas invasões e cessões de terras e tesouros.

É marcada então a luta entre Ivar x Alfred. Cristãos e odinistas se enfrentarão pela última vez. Uma Referência à histórica Batalha de Edington.

Apesar da saúde frágil do Rei Alfred e do grande número do exército invasor, Hvitserk anuncia que os olhos azuis escuros do Desossado profetizam que ele irá sofrer. No campo de batalha um soldado desconhecido, com uma arma simples o esfaqueia. Foi uma morte lamentável, boba. Um triste fim para um ícone da loucura sanguinária nas invasões nórdicas, que merecia um fim digno, talvez não a altura de Ragnar e Bjorn, mas algo com sentido, pelo menos.

Sem que nenhum dos dois exércitos tivessem certeza da vitória, é selado um novo e definitivo acordo, garantindo a presença nórdica no país. Hvisterk decide ficar na Inglaterra e se converte ao cristianismo e passará a ser chamado de Príncipe Athelstan, tendo Alfred como seu padrinho de batizado. Historicamente os dois acertariam um partilha da Inglaterra entre anglo-saxões e escandinavos.

Curiosidades históricas:

  • Estima-se que a Inglaterra, que tinha cerca de 1 milhão de habitantes no início dos ataques vikings, tenha duplicado sua população dois séculos depois. Aos poucos, os imigrantes nórdicos se integraram aos anglo-saxões.
  • Os colonos rapidamente adotaram a língua inglesa, mas introduziram diversas palavras nórdicas que sobrevivem até hoje. Sky (céu), window (janela), earl (conde, uma herança do nórdico jarl) e happy (feliz) são contribuições escandinavas, assim como termos que lembram a atividade viking como anger (ira), die (morrer) e slaughter (massacre), mas também lei, law.

Fonte: https://super.abril.com.br/especiais/como-os-vikings-conquistaram-a-inglaterra/

No núcleo do descobrimento das novas terras, destacam-se alguns diálogos entre Ubbe (Patrick Jordan Smith) e o misterioso Othere na Islândia, que lembraram os discursos teologais de Ragnar, Athelstan e Ecbert. As perspectivas sobre o olhar do sagrado na série sempre me cativaram.

Junto ao ambicioso Kjetill Flatnose (Adam Copeland) e Torvi (Georgia Hirst) embarcam rumo a novas terras, que em sonho aparecem como muito férteis e com comida abundante. Descobrem apenas a árida Groelândia, onde Kjetill manifesta todo o seu egoísmo ao não querer partilhar a carne de uma baleia, encontrada em suas terras. Após uma luta sangrenta, parte do grupo foge novamente ao barco, mas sem água e sem comida.

Quase sem esperanças, descobrem sem querer a América do Norte. Era o lugar dos sonhos, com um clima ameno e muitas possibilidades. Descobrem que não estão sozinhos, uma tribo indígena (que lembra aqueles apaches norte-americanos todos pintados).

Doce descoberta é saber que há um Louco entre eles, sim Floki (Gustaf Skarsgard)! Após o terremoto na Islândia e o desgosto pelo povo trazer no coração o egoísmo e a sede de vingança, parte rumo para uma nova terra desconhecida. Um bom final para Floki, Torvi e Ubbe.

Para finalizar, o trono de Kattegat fica com a bruxa Ingrid, uma boa personagem, que poderia ter recebido mais espaço na trama. Muito sábia, misturou doses de sede pelo poder com magia, carregando no ventre o filho de Bjorn.

 

Em linhas gerais…

Os 89 episódios de Vikings deixam um grande legado positivo. Apesar de algumas falhas em garantir o ritmo da trama após a morte de Ragnar. Tivemos temporadas paradas, mas que foram salvos por cenas de luta corpo a corpo, mortes violentas, diálogos inteligentes e os detalhes da cultura nórdica, que se tornaram os pontos altos da série.

Agora é aguardar Vikings: Valhalla, um spin-off da série que será ambientada 100 anos após o final de Vikings.

 

Nota: Faltou fechar a trama com Rollo na França. Seria épico mostrar ao menos uma breve cena de como ele está

 

VIKINGS

Data de Lançamento: 31/12/2020

Nota desta temporada: 8/10

Nota de toda a série: 9,5/10

Plataformas: Netflix e Fox Premium

 

Vikings, o fim de um legado. Análise da 6ª temporada

Wagner Botelho
Sobre o autor
- é formado em filosofia (sim, isso mesmo! rs) e pedagogia, divide sua paixão entre as séries, filmes, games e família. Estudioso sobre as religiões e as juventudes, gosta de conversar, interpretar e (re)significar a religiosidade em suas diferentes manifestações, linguagens e paisagens presentes nas culturas e nas sociedades.